Brasil
Corinthians enfrenta prazo para regularizar dívidas e evitar bloqueio de contas
O Corinthians atravessa uma séria crise financeira e recebeu nesta quinta-feira (22) um aviso urgente da administradora do Regime Centralizado de Execuções (RCE) para quitar pagamentos atrasados. Caso contrário, o clube pode ter suas contas bancárias bloqueadas. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) estipulou um prazo de 15 dias desde terça-feira (20) para que o clube resolva pendências que somam cerca de R$ 10 milhões.
Em comunicado, o Corinthians afirmou que mantém diálogo com os envolvidos e tomará as medidas necessárias para preservar o RCE. O clube trabalha em diversas frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir dívidas e criar condições para cumprir suas obrigações de forma sustentável.
O RCE é um mecanismo legal usado pelo Corinthians para organizar e parcelar aproximadamente R$ 200 milhões em dívidas cíveis e trabalhistas, concentrando processos numa vara judicial única. Ele permite o pagamento ordenado dos credores com as receitas do clube, evitando bloqueios e buscando a reestruturação financeira.
O processo corre na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O valor atrasado inclui R$ 2,4 milhões referentes à parcela de julho de 2026 — que foi paga parcialmente e com atraso — e R$ 7,6 milhões da parcela de agosto de 2026, ainda não paga.
A administradora judicial Laspro Consultores Ltda. informou ao juízo que o Corinthians deixou de entregar os documentos contábeis de agosto e setembro de 2026 e que a lista de pagamentos disponível no site oficial está desatualizada desde junho. Essa falha na prestação de contas é considerada grave, e o clube foi intimado a apresentar a documentação faltante em até cinco dias.
O MP-SP e a administradora apontam irregularidades que incluem a dedução não comprovada de mais de R$ 26 milhões atribuída à Caixa Econômica Federal e uma confissão de dívida de mais de R$ 38 milhões com o FIDC Daycoval, envolvendo conversões e abatimentos indevidos. Também foram apontadas reclassificações financeiras questionáveis e falta de identificação correta nos depósitos judiciais realizados pelo Banco do Brasil.
Credores, entre eles a Link, agência do empresário André Cury, e a Pix Star, antiga patrocinadora do clube, solicitam o encerramento imediato do RCE e a liberação das penhoras. Apesar das advertências, tanto o MP quanto a administradora recomendam manter a suspensão temporária das execuções individuais para evitar a paralisação desorganizada das atividades do clube.
Se o Corinthians não comprovar o pagamento das dívidas no prazo estabelecido e não regularizar as pendências, a proteção legal será cancelada conforme o artigo 23 da Lei nº 14.193/2021. A partir daí, as execuções serão retomadas, e bloqueios e penhoras poderão ser aplicados imediatamente.
Em março deste ano, a Justiça de São Paulo alertou que poderia intervir no clube caso fossem encontradas novas inconsistências nas receitas apresentadas pela diretoria no contexto do RCE, intensificando o monitoramento da situação financeira do time.


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