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Crise política abala palanque de Lula em Minas após Pacheco evitar voto em Messias

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A derrota do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma crise que pode comprometer o principal estratégico eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais. Após a rejeição do advogado-geral da União por um placar desfavorável maior do que as traições contabilizadas, aliados do governo passaram a questionar a atuação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), considerado peça-chave na estratégia do Planalto para governar o estado.

Pacheco é visto por Lula como potencial candidato forte para enfrentar a direita em Minas, um dos colégios eleitorais mais importantes do país. Embora mantenha-se publicamente indefinido, ele vinha sendo incentivado pelo Palácio do Planalto a entrar na disputa, visando estruturar o palanque presidencial no estado. Procurado, Pacheco não comentou.

A crise teve início após a votação no Senado que rejeitou Messias, em um resultado histórico de 42 contra e 34 favoráveis. A derrota revelou falhas na articulação do governo e iniciou um processo interno para mapear votos secretos e identificar possíveis traições, apesar de aliados negarem uma ‘caça às bruxas’.

Nesse cenário, surgiram dúvidas sobre Pacheco. Interlocutores do governo relataram incertezas quanto ao conhecimento do senador sobre a articulação que resultou na derrota, liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

As suspeitas aumentaram devido a contradições nos gestos públicos feitos por Pacheco em apoio a Messias. Nos dias antes da votação, o senador manifestou apoio ao indicado, assinou nota favorável com a bancada do PSB, almoçou e posou para foto com o advogado-geral da União.

Mesmo assim, integrantes do governo questionam se essa postura refletia seu verdadeiro posicionamento e se Pacheco, por sua ligação com Alcolumbre, teria conhecimento da articulação contra Messias.

De acordo com interlocutores, Alcolumbre já atuava contra Messias desde o início da semana. Após o almoço de Pacheco com o indicado, a mobilização para consolidar votos contrários teria se intensificado. Reclamações internas apontam também para a omissão do senador em esclarecer seu voto, o que contribui para a percepção de falta de comprometimento.

Porém, do lado de Pacheco, as suspeitas são rejeitadas. Aliados afirmam não haver provas contra ele e classificam as acusações como infundadas.

— Faz parte do processo democrático. Quem perdeu foi o STF. Rodrigo fez sua parte apoiando o PSB, mas parte do Senado, influenciada pelas eleições e outros fatores, acabou desgastando esse processo — disse a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado na chapa de Pacheco.

— Ele se manifestou e fez o possível. Não acredito que Alcolumbre pudesse controlar tensões que estavam no cerne do debate. Lula enfrentou e perdeu essa batalha. Rodrigo é nosso candidato — acrescentou.

Um aliado destacou que há apenas desconfiança, sem nada concreto. Segundo ele, a resistência a Messias era pública e centrada em Alcolumbre, sem ligação com Pacheco. Para esse grupo, a posição pública de apoio do senador é evidência bastante clara.

Repercussão política em Minas

Com dúvidas sobre o papel de Rodrigo Pacheco, o impacto político em Minas Gerais já é sentido. Petistas avaliam que o senador pode desistir da candidatura ao governo e discutem alternativas.

Entre os possíveis nomes estão o deputado Reginaldo Lopes (PT) e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), que poderiam assumir a disputa caso Pacheco recue. Pesquisa Genial/Quaest recente indica Kalil com 14% das intenções de voto contra 8% de Pacheco.

Além disso, integrantes do PT consideram que a ex-prefeita Marília Campos poderia ser chamada para compor um palanque competitivo, caso o senador desista, embora ela negue essa possibilidade e reafirme o apoio ao nome de Pacheco.

Petistas também percebem que Pacheco não demonstrou comprometimento real em disputar o governo mineiro e liderar o palanque de Lula no estado.

Na avaliação da cúpula petista, o cenário polarizado entre petismo e bolsonarismo não favorece políticos que adotam posturas neutras, o que é visto como uma fraqueza do perfil do senador.

Também chama atenção a recente filiação do empresário Josué Gomes, ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, ao PSB de Minas, fator que pode influenciar a definição das candidaturas.

Até o momento, o PT não decidiu oficialmente seu candidato ao governo de Minas.

Enquanto enfrenta desconfianças no governo, Pacheco também não tem apoio sólido na direita. Fontes desse campo político afirmam que, mesmo que Pacheco se afaste do Planalto, sua base política não está consolidada.

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