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Dente com cárie de 59 mil anos mostra cirurgia dentária antiga
A descoberta de um dente molar em uma caverna na Sibéria sugere que o tratamento para cáries pode ser muito mais antigo do que se pensava anteriormente. O achado foi divulgado recentemente na revista científica PLOS ONE.
A caverna de Chagyrskaya, onde o molar foi encontrado, contém a maior coleção de fósseis de neandertais do norte da Ásia, incluindo mais de 70 fragmentos fósseis e 26 dentes.
Os cientistas afirmam que o dente, pertencente a um neandertal que viveu há cerca de 59 mil anos, apresentava um orifício causado provavelmente por uma cárie avançada e que foi perfurado durante a decomposição.
Foi observado um orifício grande e irregular no dente, com minúsculos arranhões circulares nas paredes internas, indicando um movimento de rotação compatível com o uso de uma ferramenta, possivelmente uma pedra pontiaguda usada por outra pessoa.
Além disso, o dente exibia sulcos que sugerem o uso frequente de palitos, indicando que o indivíduo sentia algum desconforto bucal antes de qualquer procedimento invasivo.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores realizaram experimentos com pequenas ferramentas de pedra feitas de jaspe, uma rocha dura encontrada na região da caverna. Esses instrumentos foram usados em dentes humanos modernos, com água para simular a umidade da boca, visto que os dentes neandertais são insubstituíveis.
Os testes envolveram raspagem e rotação semelhantes a uma furadeira manual. Os resultados mostraram que o movimento rotativo deixou marcas nos dentes modernos, muito semelhantes ao encontrado no molar antigo de 59 mil anos.

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