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Desertores da Coreia do Norte próximos a local nuclear têm mutações genéticas

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Quase um em cada três desertores da Coreia do Norte que residiam perto do complexo de testes nucleares de Punggye-ri apresentou mutações cromossômicas que podem estar ligadas à exposição à radiação, conforme estudo divulgado pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul.

Embora os resultados sejam preocupantes, as autoridades destacam que ainda não há confirmação científica definitiva de que essas alterações genéticas tenham sido causadas pelos testes nucleares.

A pesquisa envolveu 214 desertores norte-coreanos ao longo de cinco anos, com avaliações realizadas em 2017, 2018, 2023, 2024 e 2025. Desses, 64 pessoas (29,9%) mostraram mudanças cromossômicas possivelmente relacionadas à exposição à radiação.

Na última fase do estudo em 2025, 26 dos 59 participantes (aproximadamente 44%) apresentaram anormalidades cromossômicas.

Os participantes residiam em oito cidades e condados próximos ao centro nuclear de Punggye-ri, situado na província de Hamgyong do Norte, incluindo regiões como Kilju, Kimchaek e Paekam. Nenhum deles foi diagnosticado com cânceres tipicamente associados à exposição radiativa.

O relatório foi enviado ao Parlamento sul-coreano. O Ministério da Unificação ressalta que as mutações podem ter outras origens, como tabagismo, exposições médicas à radiação, por exemplo, tomografias computadorizadas, e outros fatores ambientais.

Mesmo assim, um representante do Centro Nacional de Medicina para Emergências Radiológicas, responsável pela pesquisa, declarou que é “cientificamente razoável” suspeitar que os testes nucleares em Punggye-ri estejam relacionados às alterações genéticas detectadas.

Os pesquisadores enfatizam a importância de continuar os estudos para confirmar ou descartar essa hipótese.

O plano é recrutar 50 novos participantes e acompanhar outros dez nos próximos passos da pesquisa.

Desde 2006, a Coreia do Norte realizou seis testes nucleares no complexo de Punggye-ri, em Kilju.

O local foi fechado oficialmente em 2018 pelo governo norte-coreano, que alegou querer mostrar transparência encerrando seu programa de testes nucleares.

Contudo, analistas internacionais identificaram sinais de atividade nas instalações em 2022, o que levantou dúvidas sobre o possível retorno de testes de ogivas nucleares.

Além disso, em 2017, o centro sofreu um acidente quando parte da estrutura subterrânea desabou, causando a morte de cerca de 200 trabalhadores.

Na ocasião, autoridades sul-coreanas alertaram que novos testes poderiam causar o colapso de uma montanha próxima e liberar material radioativo no ambiente, enquanto autoridades chinesas avisaram que a contaminação poderia se espalhar por uma extensa região caso isso ocorresse.

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