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Economista vê futuro brilhante para Embraer: Ignore Airbus e Boeing

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A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (30) uma análise positiva sobre o futuro da Embraer, destacando o crescimento rápido da fabricante brasileira e afirmando que a empresa está em um momento que pode elevá-la a um novo nível na indústria aeroespacial.

Intitulada “Ignore a Airbus e a Boeing. A Embraer está decolando”, a reportagem enfatiza a importância da empresa, que recentemente teve peças da indústria aeroespacial incluídas na lista de produtos brasileiros isentos das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, devido à relevância desse fornecimento para a cadeia produtiva americana.

Atualmente, a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e passa por uma fase de forte crescimento impulsionada pela demanda crescente por aeronaves comerciais, executivas e militares.

A revista renomada destaca que a empresa entregou 141 aeronaves em 2021 e poderá alcançar 255 unidades neste ano, além de anunciar em 24 de julho uma carteira recorde de pedidos de US$ 34,5 bilhões.

O presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou à revista que enxerga uma oportunidade de “crescimento significativo” para a companhia. O mercado, segundo a The Economist, parece compartilhar desse otimismo.

“Os investidores concordam”, diz a publicação, ressaltando que, desde o início de 2021, as ações da fabricante brasileira multiplicaram seu valor por cerca de dez, desempenho muito superior ao registrado pelas concorrentes Airbus e Boeing no mesmo período.

A reportagem atribui esse crescimento a uma combinação de fatores, incluindo a dificuldade enfrentada por Airbus e Boeing para atender à alta demanda mundial por aeronaves, uma vez que acumulam uma fila de aproximadamente 16 mil aviões comerciais, com prazos de entrega entre oito e dez anos.

Nesse contexto, o jato regional E2 da Embraer se destaca por poder ser entregue em menos de dois anos. Comercializado como “Caçador de Lucros”, o modelo também se beneficia da expansão de voos diretos entre cidades menores, tendência que diminui a dependência de grandes aeroportos de conexão.

A revista ainda ressalta que o E175 tem uma posição quase única no mercado americano de aviação regional, por atender aos limites estabelecidos em acordos trabalhistas dos pilotos dos Estados Unidos.

Outro segmento em crescimento é o de jatos executivos, com o Phenom 300 liderando as vendas globais de sua categoria há 14 anos consecutivos.

No setor militar, o cargueiro KC-390 tem registrado aumento da demanda acompanhando os investimentos globais em defesa.

A publicação menciona ainda a Eve Air Mobility, empresa de carros voadores controlada pela Embraer, como uma aposta que ganhou força após a redução do número de concorrentes no setor de mobilidade aérea urbana.

O ponto mais ambicioso da reportagem é a possibilidade de a Embraer competir diretamente com Airbus e Boeing.

Segundo a reportagem, alguns analistas especulam que a fabricante brasileira pode desenvolver um avião comercial maior para concorrer no segmento hoje dominado pelas duas gigantes.

Francisco Gomes Neto afirmou que deseja preparar a empresa para “um novo ciclo de produtos que suporte um crescimento mais ousado”.

As possibilidades em estudo incluem tanto um novo jato executivo de grande porte quanto uma aeronave comercial para competir no segmento de corredor único.

A reportagem lembra que romper o domínio da Airbus e da Boeing seria um desafio enorme. A canadense Bombardier tentou isso e acabou vendendo seu programa de aeronaves à Airbus em 2018.

Apesar disso, especialistas ouvidos pela revista acreditam que existe uma oportunidade rara. Ron Epstein, analista do Bank of America, afirmou que uma entrada bem-sucedida no mercado colocaria a Embraer em “um novo patamar”.

The Economist destaca ainda que a fabricante brasileira acumulou ampla experiência tecnológica ao longo das últimas duas décadas.

O maior desafio, segundo a publicação, seria reunir parceiros para financiar um projeto estimado em cerca de US$ 10 bilhões.

Embora existam especulações sobre uma futura competição direta com Airbus e Boeing, Francisco Gomes Neto declarou que a empresa não tem pressa para tomar essa decisão.

— Estamos muito satisfeitos com a posição atual — disse o executivo à revista.

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