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Entenda os próximos passos da delação de Vorcaro
A entrega da proposta de acordo de delação premiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) nesta semana marca o começo das negociações do entendimento.
Agora, os agentes responsáveis vão verificar o conteúdo dos anexos enviados pela defesa do proprietário do Banco Master. São relatos que o banqueiro pretende esclarecer, indicando nomes de envolvidos e meios de comprovação que sustentem suas declarações.
Nos próximos dias, a PGR e a PF devem comparar as informações dos anexos com os dados dos nove celulares apreendidos de Vorcaro, que estão sendo examinados pela equipe desde o final do ano passado. Caso não surjam informações inéditas na colaboração, os procuradores e policiais já indicaram que poderão desistir do acordo ou solicitar complementos.
A delação somente pode ser confirmada e utilizada na investigação após o acordo ser firmado entre as partes e homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pelo caso Master na Corte.
Um dos principais focos de interesse da PF e PGR é esclarecer as transações financeiras de Vorcaro realizadas no exterior. Há suspeitas de que ele tenha efetuado pagamento de propina a agentes políticos por meio de transferências e bens fora do Brasil, mantendo patrimônio significativo fora do território nacional.
Outro ponto chave é o valor dos recursos que ele está disposto a devolver ao Estado brasileiro para concretizar o acordo de delação, em troca de benefícios como redução de pena e progressão de regime. Os investigadores veem essa questão como uma das mais importantes para continuar as negociações.
As tratativas ainda estão em estágio inicial. O documento entregue em um pen drive pela defesa de Vorcaro nesta terça-feira ainda não inclui documentos nem depoimentos — o que só deve acontecer se o acordo for formalizado pelas partes.
A finalização da proposta de delação foi divulgada pela coluna do Lauro Jardim e resulta de um mês e meio de encontros quase diários entre Vorcaro e seus advogados na Superintendência da PF no Distrito Federal, onde o ex-banqueiro está preso desde março.
Fontes próximas à PGR ouvidas pelo Globo informam que esta é a primeira versão do acordo apresentada pela defesa de Vorcaro, e ressaltam que o momento atual é de “avaliar a qualidade e a consistência” do material entregue.
A equipe de investigadores também aguarda que Vorcaro forneça detalhes sobre a participação de políticos e membros do Poder Judiciário no suposto esquema de fraudes do Master.
Como funciona a delação
A colaboração premiada é um acordo em que o investigado reconhece crimes e indica suspeitos e provas em troca de benefícios penais negociados entre a defesa, a PGR e a PF.
Esse acordo pode incluir redução de pena, regime diferenciado, prisão domiciliar ou perdão judicial, além de obrigações como devolução de valores. Se as negociações avançarem, Vorcaro passará para a etapa de depoimentos formais.
A lei exige que a colaboração produza resultados concretos, incluindo identificar coautores e participantes, entender a divisão de funções no grupo, rastrear recursos e recuperar ativos desviados.
Compete à Polícia Federal e ao Ministério Público verificar a veracidade das informações fornecidas. A palavra do colaborador sozinha não é suficiente para sustentar uma acusação — é preciso confirmação por outras provas.
Histórico
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, enquanto tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A PF interpretou que se tratava de uma tentativa de fuga, cumprindo o mandado durante a Operação Compliance Zero, que na época investigava um suposto esquema de fraudes do Master estimado em R$ 12 bilhões.
Um dia após a prisão do proprietário, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central devido a uma crise de liquidez e insolvência financeira. Essa decisão desencadeou a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — mais de R$ 50 bilhões.
Vorcaro foi liberado da prisão em novembro de 2025. No mês seguinte, o ministro do STF Dias Toffoli aceitou um pedido da defesa e enviou o processo ao Supremo sob sua relatoria, decretando sigilo máximo sobre os autos.
Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após a PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. Foi substituído pelo ministro André Mendonça, que em março decidiu prender novamente Vorcaro.
Para justificar a nova prisão, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal que o apontava como líder de uma organização criminosa dedicada a vigiar e intimidar pessoas contrárias aos interesses do Master. A defesa de Vorcaro sempre negou as irregularidades, mas iniciou a negociação de uma delação premiada a partir daquele mês.

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