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Ex-ministro ucraniano aposta na política em meio à guerra
Mykhailo Fedorov, ex-ministro da Defesa da Ucrânia recentemente removido do cargo, surpreendeu ao defender a realização de eleições em período de guerra — uma iniciativa que causou preocupação até entre seus simpatizantes, que protestaram em frente ao Parlamento em Kiev na quarta-feira (19).
Fedorov, conhecido por sua paixão pela inovação tecnológica e por liderar várias reformas nas Forças Armadas, foi removido em julho durante uma reestruturação ministerial que dividiu o país e provocou protestos em sua defesa.
Aproveitando sua popularidade, Fedorov fez um discurso na terça-feira (18) onde criticou severamente o governo, rompendo assim sua aliança com o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
Enquanto o Parlamento aprovava a nomeação de seu sucessor, Yevhen Khmara, dezenas de pessoas se reuniram para manifestar insatisfação com a saída de Fedorov.
Porém, afastaram-se das manobras políticas.
“Eu assisti e fiquei desapontada”, disse Yevgeniia, uma manifestante, sobre seu discurso crítico. “O lado positivo de Fedorov é que ele era um gestor, não um político. Agora ele deixou a administração para entrar na política”, declarou à AFP.
Com esse discurso, Fedorov se apresenta como candidato político e desafia a maioria contrária à realização de eleições durante o conflito — uma decisão delicada num país onde a confiança nos políticos é baixa, mas onde a liderança de Zelensky em tempos de guerra é geralmente aceita.
No vídeo gravado um mês após sua demissão, Fedorov critica duramente o sistema que tentou reformar.
Papel de líder da oposição
A Ucrânia tem enfrentado diversos escândalos de corrupção, o mais recente resultando na demissão de um assessor presidencial na quarta-feira (19).
Erradicar a corrupção “é essencial para nossa sobrevivência”, afirmou Fedorov. “Estamos diante de uma crise sistêmica na governança”, complementou.
Fedorov foi aliado de longa data de Zelensky, trabalhando com ele desde 2019.
Para o especialista Volodimir Fesenko, o vídeo sinalizou uma ruptura clara na aliança.
“A mensagem divulgada ontem à noite é certamente uma tentativa de ocupar o papel de líder da oposição”, indicou.
No entanto, Fesenko acredita que o desafio não é contra Zelensky pessoalmente, mas contra o que chama de ‘Zelensky coletivo’.
A mensagem de Fedorov é especialmente ousada, dado o contexto de guerra desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
“Nossas pesquisas indicam que as pessoas não querem política agora”, disse à AFP Anton Grushetskii, diretor executivo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS).
“Elas desejam patriotas que defendam a Ucrânia, não políticos”, acrescentou.


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