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Experiência de andar em táxi autônomo: veja como é

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As ruas de Dubai e Abu Dhabi, conhecidas pelos seus supercarros e infraestrutura avançada, tornaram-se um palco para um futuro onde o volante pode se tornar obsoleto. Nestes locais, ao solicitar um Uber, o usuário pode optar por veículos autônomos. Entrar em um carro sem motorista é inicialmente surpreendente. Não há interação humana, apenas o silêncio de um sistema que processa bilhões de dados para garantir segurança e eficiência na viagem.

Em Abu Dhabi, o WeRide GXR, uma minivan autônoma, chama atenção pelo espaço interno e conforto, ideal para até três passageiros em deslocamentos produtivos ou relaxantes. O interior possui acabamentos sofisticados e tons claros que proporcionam uma sensação acolhedora.

O início da viagem é totalmente digital: após embarcar, o passageiro ativa a corrida por meio de um botão em uma tela de alta definição. Tablets à frente dos bancos permitem controlar a temperatura, selecionar músicas e acompanhar o trajeto em tempo real.

A condução do WeRide se destaca pela cautela. O sistema reage imediatamente a qualquer movimento inesperado de pedestres ou veículos, tornando a viagem segura e confortável, ajudando o passageiro a adaptar-se rapidamente à ausência de um motorista humano.

Em Dubai, a colaboração da Uber com a Baidu (Apollo Go) oferece uma experiência diferente. O Apollo foi desenvolvido especificamente para ser autônomo, com sensores LIDAR e câmeras integrados ao design do veículo, evitando aparência de acessórios externos.

O interior do Apollo é altamente tecnológico, com bancos que oferecem massagem, destacando o conforto do passageiro. As telas traseiras imersivas possibilitam controle total sobre os sistemas do carro.

O software desenvolvido na China, treinado em milhões de quilômetros em tráfego intenso, apresenta alta precisão. O Apollo mantém-se centralizado na pista, realiza manobras com precisão e acompanha o fluxo do trânsito respeitando os limites de velocidade.

Enquanto o WeRide é cauteloso, o Apollo é mais decidido, tomando ações firmes e rápidas, o que demonstra diferentes abordagens dentro da tecnologia de condução autônoma de Nível 4, onde o veículo opera sozinho em áreas específicas.

Noah Zych, gerente global de mobilidade autônoma da Uber, explica que a tecnologia utiliza uma combinação de sensores para criar uma visão de 360 graus constante, permitindo detectar o ambiente com precisão.

A Uber não fabrica os veículos, mas atua como plataforma que integra diferentes tecnologias e frotas. Enquanto a Baidu traz experiência baseada em dados da China, a WeRide destaca-se pela versatilidade da sua plataforma. O objetivo é oferecer ao usuário uma variedade de opções de veículos, desde modelos econômicos até de luxo, adequados a diferentes demandas.

Estratégia da rede híbrida

A Uber aposta em um sistema híbrido inteligente, que analisa dados para decidir se o modal mais eficiente para cada viagem é o veículo autônomo ou um motorista humano. Trajetos complexos ou em áreas com desafios específicos continuam sendo atendidos por motoristas, enquanto a frota autônoma opera onde seu desempenho é melhor.

Essa combinação permite otimizar o tempo de espera e a segurança, fazendo com que o táxi robô seja parte de uma solução maior, e não a única alternativa.

No cenário internacional, a Waymo, empresa da Alphabet (Google), opera frotas Nível 4 em cidades americanas utilizando sensores LIDAR, radares e câmeras. Seus carros circulam sem motorista de segurança e acumulam milhões de quilômetros com poucas intervenções humanas.

Por outro lado, a Tesla de Elon Musk utiliza o sistema “Full Self-Driving”, baseado apenas em visão computacional, sem sensores LIDAR, dependendo de câmeras e inteligência artificial processada a bordo. Atualmente esse sistema opera no nível 2 nos EUA, exigindo supervisão constante do condutor.

Um diferencial da Tesla é a coleta de dados de milhões de veículos particulares, que alimentam a inteligência artificial com informações reais de trânsito para aprimorar a autonomia.

Possibilidade no Brasil

Apesar do sucesso nos Emirados, a adoção global dos robotaxis enfrenta desafios significativos. Dubai e Abu Dhabi apresentam condições favoráveis, como ruas largas e comportamento de trânsito ordenado, que nem sempre são replicáveis em metrópoles como São Paulo.

Situações complexas e raras, como o fluxo intenso de motos e intervenções viárias informais, exigem da tecnologia uma capacidade de interpretação contextual avançada, que vai além da simples leitura de placas e sinais.

Além disso, há preocupações sobre responsabilidade e confiabilidade. Incidentes com veículos autônomos nos EUA, como bloqueios de ambulâncias e acidentes com pedestres, geram dúvidas sobre custo-benefício de manter frotas equipadas com sensores caros e centros de monitoramento.

Noah Zych ressalta que o Brasil possui um ambiente de direção desafiador e necessitará de regulamentações específicas. Contudo, a evolução tecnológica ocorre rapidamente e locais antes considerados impróprios para veículos autônomos podem estar mais próximos dessa realidade do que se imagina.

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