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Famílias marroquinas esperam notícias de parentes desaparecidos em Ceuta
Na cidade marroquina de Castillejos, cerca de 30 pessoas permanecem agarradas a uma cerca que bloqueia o acesso ao mar e à fronteira, aguardando notícias de seus familiares que cruzaram ilegalmente para o enclave espanhol de Ceuta.
Abdellatif, um trabalhador rural de Moulay Bousselham, localizado a aproximadamente 200 km de Castillejos, vive angústia com o desaparecimento de seu irmão mais novo de 17 anos, que na quinta-feira tentou chegar a Ceuta nadando com dois amigos.
Nas últimas semanas, mais de 60 mil pessoas alcançaram o enclave, mas a maioria foi enviada de volta a Castillejos, de onde são transportadas para suas cidades de origem.
Autoridades espanholas registraram pelo menos 72 mortes, mas a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) estima cerca de 130 vítimas, além de dezenas de desaparecidos.
Abdellatif contou à AFP que dois amigos de seu irmão o informaram na sexta-feira que partiram juntos no dia anterior, mas que ele sofreu uma lesão muscular nadando e acabaram se separando. Ele teme pela vida do irmão pois os companheiros já retornaram.
O jovem trabalhador sente medo de retornar sem notícias do irmão e critica o silêncio das autoridades. Ele acredita que o governo deveria alertar os jovens sobre os riscos da migração irregular, principalmente diante da influência das redes sociais, que difundiram boatos sobre a fronteira estar aberta.
Perto da cerca, familiares mostram fotos em celulares para quem retorna de Ceuta, tentando obter informações. Uma mãe conseguiu se acalmar ao reconhecer visualmente seu filho no enclave.
No entanto, Rachida Mamakh, de 48 anos, com os olhos inchados de tanto chorar, busca notícias de seu filho de 23 anos, Zuhair, que ligou informando ter chegado a Ceuta, mas desde então está sem contato.
Rachida pede a Deus que seu filho volte saudável e apela para as autoridades e para o rei Mohammed VI que façam o impossível para resgatar esses jovens. Zuhair terminou o ensino médio, está desempregado, aprendeu alemão e sonhava com uma vida melhor na Alemanha.
Fadoua Allam, de Castillejos, viveu um momento de desespero ao perceber, na madrugada de sexta-feira, que seus dois filhos haviam desaparecido. Ela relata que não suportou a dor e chegou a entrar no mar para procurá-los em Ceuta.
Conseguindo encontrar apenas a filha em um centro de acolhimento, ainda não teve notícias do filho mais novo. Felizmente, ele foi devolvido a Castillejos, mas ela permaneceu exausta e abalada, passando a noite na casa de uma amiga no enclave.
Mohamed, um encanador de 27 anos, também está preocupado com o desaparecimento de seus dois primos de 18 e 22 anos. Em sua última conversa telefônica, pediu que eles se entregassem às autoridades para serem repatriados, mas não recebeu mais notícias desde então.
Ele decidiu ir até a fronteira para tentar encontrá-los, pois não entende a decisão deles, já que suas famílias possuem terra e uma vida confortável.

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