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Frente partidária pode abandonar votação na Alerj por voto aberto
A coalizão formada por nove partidos aliados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) avisou que deixará o plenário se a eleição para a Presidência da Casa, marcada para amanhã, acontecer com voto aberto.
O grupo, que planeja lançar o deputado estadual Vitor Junior (PDT) como candidato, afirma que a votação sem segredo é “uma decisão tendenciosa”, pois os parlamentares ficam expostos a pressões, coações e possíveis retaliações.
“O voto secreto assegura a liberdade do parlamentar para escolher seu voto, protegendo sua independência e a do Legislativo fluminense”, declarou o coletivo formado pelos partidos PSD, MDB, PODEMOS, PT, PDT, PSB, CIDADANIA, PCdoB e PV, em nota pública divulgada nesta quinta-feira.
Após a janela partidária, o PL — que quer eleger o deputado Douglas Ruas para presidente da Alerj — agora tem 23 deputados. Somando esses votos aos da União Brasil e do PP, essa aliança ultrapassa os 36 votos necessários para vencer a eleição. Por isso, lideranças acreditam que com votação aberta, Douglas Ruas tem vitória garantida.
O PDT entrou com ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para que a votação seja secreta. A ação foi assinada por Vitor Junior e pela deputada Martha Rocha e será analisada pela desembargadora Suely Lopes Magalhães, vice-presidente do TJ-RJ.
A frente partidária ressaltou que o pleito na Alerj “replica as mesmas características institucionais e circunstanciais” do pedido do PSD no Supremo Tribunal Federal que trata das eleições para mandato-tampão.
“Este grupo não apoiará um processo eleitoral desonesto e sairá do plenário se a votação for aberta. Mas, se houver eleições justas, com voto secreto e respeito às regras, apresentaremos a candidatura de Vitor Junior para presidente da Alerj”, finalizou o comunicado.
Mudança de postura
Na semana passada, o PSD era contra voto secreto na Alerj em caso de eleição indireta para o governo do estado. Na época, o cenário interno indicava que Paes não teria maioria nem com voto secreto.
Recentemente, aliados do ex-prefeito intensificaram esforços para ampliar sua base, alcançando em teoria 22 votos, o que renovou rivalidades dentro do grupo adversário.
Por outro lado, o entorno de Douglas Ruas acredita que o voto secreto pode atrair apoios inclusive dentro do partido de Paes. Em eleição anterior para a presidência da Alerj, que foi anulada pela Justiça em março, alguns deputados do PSD votaram em Ruas.
Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, opinou: “Paes tentou ignorar a Assembleia, o que acabou unindo os deputados contra essa iniciativa”.
Por enquanto, Rosenberg Reis (MDB) e Renata Souza (PSOL) também aparecem como possíveis candidatos ao comando da Alerj. O grupo de Paes pretende enfraquecer a candidatura da deputada do PSOL, buscando os cinco votos de sua legenda, além de negociar com partidos menores, como Solidariedade e Avante, que já formaram um bloco de cinco deputados no começo do ano.

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