Economia
Gastos do INSS em 2027 caem R$ 5 bilhões
O principal fator que impacta o orçamento público, a Previdência Social, deve gastar R$ 5 bilhões a menos do que o previsto inicialmente para 2027. O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou nesta terça-feira (25) a alteração da estimativa de cerca de R$ 1,224 trilhão para R$ 1,218 trilhão.
Apesar da redução, o valor estimado para o próximo ano representa um aumento de 7,92% em comparação com a previsão de 2026, que era de R$ 1,129 trilhão.
Essa atualização será usada na preparação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2027, que deverá ser enviado ao Congresso Nacional até segunda-feira (31).
Redução da fila de análise
A revisão das despesas ocorre em meio aos esforços do governo para diminuir o número de pedidos de benefícios que aguardam análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com o Ministério da Previdência Social, a fila diminuiu de 1,8 milhão de pedidos em junho para 1,55 milhão no final de julho. No acumulado do ano, essa queda é de 74%.
Essa redução impacta diretamente os gastos públicos, pois a concessão de mais benefícios aumenta as despesas previdenciárias.
Durante a reunião, o diretor do Departamento do Regime Geral de Previdência Social, Eduardo Pereira, destacou que as ações para combater a fila tornaram as projeções para 2026 mais incertas.
“As iniciativas para enfrentar a fila criaram ainda mais incerteza em nossa previsão”, afirmou Pereira.
Despesas com benefícios
A maior parte dos recursos previstos para 2027 será usada para pagar benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões. A estimativa para essa categoria é de R$ 1,161 trilhão, aumento de 8,76% em relação aos R$ 1,067 trilhão projetados para 2026.
A previsão anterior para 2027 era de R$ 1,166 trilhão, então a nova estimativa indica uma redução de cerca de R$ 5,25 bilhões.
Outras despesas também foram revisadas:
- Compensação previdenciária: R$ 8,113 bilhões em 2027, aumento de 2,9%;
- Sentenças judiciais: R$ 49,391 bilhões, redução estimada de 8,08%;
- Despesas previdenciárias totais: R$ 1,218 trilhão.
As previsões para sentenças judiciais não mudaram.
Revisão para 2026
O CNPS também diminuiu a previsão de despesas obrigatórias da Previdência para 2026, que caiu de cerca de R$ 1,136 trilhão para R$ 1,129 trilhão, uma diminuição de R$ 6,474 bilhões.
Eduardo Pereira explicou que essa redução se deve, entre outros motivos, a parâmetros mais cautelosos utilizados nas projeções, além dos bons resultados financeiros recentes que indicam despesas menores que as estimadas antes.
Ele destacou que pode haver uma nova diminuição dessa previsão até o fim do ano.
Impacto no orçamento
As despesas com a Previdência têm grande influência nas contas públicas. Segundo dados apresentados ao CNPS, os benefícios previdenciários representam cerca de 43% da despesa primária da União.
Pequenas variações percentuais nas projeções podem significar bilhões de reais e alterar o espaço disponível no orçamento federal.
A redução para 2027 cria uma margem de aproximadamente R$ 5 bilhões, que pode ser considerada pelo governo ao elaborar o PLOA.
Aprovação no CNPS
A nova estimativa para as despesas previdenciárias de 2026 e 2027 foi aprovada por unanimidade pelo CNPS, órgão que inclui representantes do governo federal, aposentados e pensionistas, trabalhadores ativos e empregadores.
Os valores atualizados serão encaminhados ao Ministério do Planejamento e Orçamento e servirão de base para montar a proposta orçamentária de 2027, que deve ser entregue ao Congresso até 31 de agosto.

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