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Ginastas do DF brilham nas competições internacionais

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Este mês, ginastas do Distrito Federal viajam para Genebra, na Suíça, para competir representando o Brasil em uma importante competição de ginástica acrobática. O evento é o começo de uma série de desafios para a equipe Akros, da Associação de Ginástica Acrobática do Distrito Federal. A equipe também disputará uma etapa da Taça do Mundo na Polônia e o Campeonato Mundial na Itália, em setembro.

Sarah Arns, treinadora da equipe, conhece bem essa trajetória. Ela iniciou sua carreira na ginástica acrobática em 2012, participou do Mundial na França em 2014 como atleta da Seleção Brasileira e agora apoia uma nova geração de ginastas. Para ela, competir fora do país é um passo importante para o crescimento das atletas, não apenas para ganhar medalhas.

“Essa competição na Suíça é a primeira experiência internacional para duas formações da nossa equipe de base. Buscamos um evento adequado para que elas possam aprender e se desenvolver”, explica Sarah.

Na ginástica acrobática, as equipes podem ser duplas, trios ou grupos que se apresentam juntos mostrando força, equilíbrio, flexibilidade e sincronia. Para muitas atletas, esta será a primeira vez em uma competição internacional.

Esporte com raízes familiares

A história de Sarah com a Akros começou na infância, quando treinava ao lado da irmã. A associação foi criada por um grupo de pais apaixonados pelo esporte, incluindo os pais da própria treinadora. Assim, o vínculo com a equipe é muito especial, formando uma verdadeira família.

Sem fins lucrativos, a Akros atua desde o início no esporte até o alto rendimento. A equipe já conquistou o título de campeã brasileira dez vezes e, na última competição nacional, ganhou ouro em três categorias.

Hoje, a Akros é a equipe brasileira com mais formações convocadas para a Seleção Brasileira de ginástica acrobática. Das sete equipes selecionadas para o Mundial, três são do Distrito Federal. No total, oito atletas da Akros representarão o Brasil no Campeonato Mundial em Pesaro, na Itália.

Antes disso, em junho, parte do grupo disputará algumas competições na Polônia, incluindo uma etapa oficial da Taça do Mundo. Esta será a primeira vez que o Brasil participa dessa competição. “É uma estreia histórica para o país. As atletas vão representar o Brasil oficialmente pela Seleção Brasileira”, destaca Sarah.

Inspiração dentro do tablado

Dentre as atletas que viajam para Suíça está Ana Beatriz, de 15 anos. Ela começou na ginástica acrobática há três anos e encontrou nela não só um esporte, mas também amizades, referências e novas perspectivas.

Antes de entrar para a Akros, Ana treinava em outra academia. Foi em uma competição que ela conheceu Mayanna, que se tornou uma grande inspiração para ela. Após participar de uma seletiva na Akros, Ana foi aceita e hoje treina com quem admira. “Mayanna é uma atleta incrível e que continuo admirando muito, mesmo estando perto agora.”

Para Ana, competir pela Akros e representar o Distrito Federal na Europa traz uma grande responsabilidade, mas ela se sente honrada em vestir a camisa da equipe. “Sinto que é uma obrigação fazer um bom trabalho”, conclui a atleta.

Além de Ana, a equipe para Genebra inclui Mariane Takano (9 anos), Mirella Lima (14 anos), Alice Luz (14 anos), Catarina Nogueira (10 anos) e Camila Machado (15 anos). As atletas viajam no dia 11 de maio.

Projeto de vida

Mayanna Magno, que atualmente inspira as atletas mais jovens, começou a treinar na Akros aos 8 anos. Aos 20 anos, se prepara para sua terceira competição internacional representando o Brasil. Ela iniciou na ginástica quase por acaso, quando sua mãe buscava atividades para ocupar seu tempo livre e de seus familiares.

Com mais de 10 anos de dedicação, Mayanna presenciou o crescimento da ginástica acrobática no país e a evolução da sua equipe. “Antes, íamos para mostrar que o Brasil estava presente. Agora, as pessoas reconhecem que o país está evoluindo e aumentando o nível no esporte”, afirma.

Mayanna conta que treina intensamente, conciliando estudos, preparação física e viagens. Seu sonho é participar do World Games, a principal competição mundial da ginástica acrobática.

“Meu sonho sempre foi competir no Mundial. Já estou indo para o terceiro. Representar o Brasil continua sendo especial, mas quero ir ainda mais longe”, compartilha.

Ela lembra que um dos momentos mais marcantes da carreira foi no Mundial de 2024, quando sua equipe recebeu muitos elogios internacionais, reforçando a esperança em um futuro ainda melhor.

Realidade longe do glamour

Apesar de representarem o Brasil em competições internacionais, as atletas enfrentam desafios financeiros para continuar no esporte. A maior parte das despesas com hospedagem, alimentação, inscrições e parte das passagens é custeada pelas famílias.

Os gastos chegam a mais de R$ 5 mil por competição, sem contar as passagens aéreas. Para a viagem à Suíça, apenas duas das oito passagens foram garantidas pelo programa Compete Brasília, uma iniciativa do Governo do Distrito Federal que apoia o esporte local.

Além dos treinos, as ginastas também dedicam fins de semana para arrecadar recursos, participando de eventos como corridas de rua, apresentações e shows em restaurantes e bares.

Mesmo sem o glamour normalmente associado ao esporte de alto rendimento, as atletas da Akros seguem transformando esforço em oportunidade, buscando não só medalhas mas também espaço e reconhecimento para a ginástica acrobática no Brasil.

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