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Governador do México acusado pelos EUA de ligação com narcotráfico pede afastamento para investigação
O governador mexicano Rubén Rocha Moya, ligado ao partido governista, anunciou inesperadamente na sexta-feira (1º) que se afastará temporariamente do cargo para facilitar as investigações feitas pela procuradoria-geral do México.
Rubén Rocha Moya, governador do estado de Sinaloa, região noroeste do país, é próximo do ex-presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador. Ele classificou como “falsas e maliciosas” as acusações feitas pela promotoria do Distrito Sul de Nova York, que exigiu sua prisão para extradição.
“Informo ao povo de Sinaloa que hoje apresentei ao Congresso Estadual o pedido de licença temporária do cargo de governador”, comunicou em vídeo postado no YouTube pouco antes da meia-noite.
Os Estados Unidos solicitaram ao governo mexicano a captura de Rocha Moya junto com outros nove políticos do partido governista.
Entre eles está Juan de Dios Gámez, prefeito de Culiacán, capital de Sinaloa, que também anunciou que se afastará do cargo.
A promotoria dos EUA acusa o governador e outros nove políticos de se associarem ao cartel de Sinaloa para distribuir grandes quantidades de drogas nos Estados Unidos.
O afastamento destas autoridades abre caminho para investigações, uma vez que seus cargos normalmente garantem foro privilegiado, o que exigiria processo legislativo para perda de imunidade e subsequente convocação para prestar esclarecimentos.
As renúncias ocorreram poucas horas depois da procuradoria-geral mexicana afirmar que não existem provas suficientes para prisão e da presidente Claudia Sheinbaum declarar que o governo mexicano não aceitará interferências de governos estrangeiros.
Vínculos com chefes do tráfico
Há quase dois anos, quando Ismael “Mayo” Zambada, um dos líderes do cartel de Sinaloa, foi preso nos Estados Unidos, o nome de Rocha Moya foi ligado ao caso.
De uma prisão americana, o chefe do tráfico afirmou ter sido enganado e sequestrado pelos filhos de seu antigo sócio criminoso, Joaquín “Chapo” Guzmán, que o convocaram para uma suposta reunião liderada por Rocha Moya para resolver conflitos entre políticos de Sinaloa.
Rocha Moya negou qualquer ligação com narcotraficantes e afirmou que estava nos Estados Unidos na data mencionada da reunião.
“Não temos conivência com ninguém”, declarou.
A procuradoria-geral mexicana está avaliando o pedido dos Estados Unidos, mas afirmou que não há evidências suficientes no momento e solicitou mais informações.
Raúl Jiménez, da área de assuntos internacionais da procuradoria, disse: “Não há nenhum motivo, fundamento ou evidência que justifique a prisão provisória urgente”.
Sheinbaum e soberania nacional
A acusação contra Rocha Moya causou grande impacto no governo da presidente Claudia Sheinbaum e em seu partido de esquerda, Morena, pois é a primeira vez que um governador ou senador no cargo é judicialmente acusado de vínculos com o tráfico de drogas.
Na quinta-feira, a presidente Claudia Sheinbaum rejeitou enfaticamente as acusações e pediu aos Estados Unidos que apresentem provas irrefutáveis.
Na sexta-feira, durante evento público no estado de Chiapas, ela ressaltou que nenhum governo estrangeiro pode violar a soberania do México, enfatizando que o país é defendido por seus cidadãos e que princípios nacionais serão sempre respeitados.
O caso surgiu em um momento delicado, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, exige do México resultados na luta contra o narcotráfico e enquanto os três países da América do Norte revisam o tratado de livre comércio conhecido como T-MEC.

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