Notícias Recentes
Governo protege STF após ação da CPI, mas evita se aproximar demais para não prejudicar eleição
A estratégia adotada pelo governo para barrar a aprovação do relatório da CPI do Crime Organizado, que sugeria o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República, foi essencialmente uma tentativa de reaproximação com a Corte.
Setores do Palácio do Planalto avaliam, entretanto, que é importante manter certa distância, pois há receio de desgaste eleitoral caso a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fique muito vinculada ao STF.
O relatório indicava crimes de responsabilidade atribuídos aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e ao chefe da GR, Paulo Gonet, relacionados ao escândalo do Banco Master. Isso levou o governo a agir rapidamente, substituindo membros do colegiado para assegurar a rejeição do documento.
Para os assessores do presidente, omitir-se diante da situação poderia desencadear uma crise inédita entre os poderes.
Nesse contexto, conforme articuladores políticos do presidente, o governo viu a necessidade de agir com rapidez para conter a crise. Com o aval do Planalto, a base governista promoveu a troca, na CPI, dos deputados Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), que integravam o Bloco Parlamentar Democracia e apoiavam o relatório, pelos deputados Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo e contrários ao parecer.
O Planalto considerou um erro grave o fato de o colegiado indiciar ministros do Supremo sem apresentar crimes cometidos por membros das maiores facções criminosas do país, como PCC e Comando Vermelho.
A decisão por uma ação precisa visa demonstrar que existem limites que o governo não permitirá ultrapassar.
Desde março, como noticiado por O Globo, o governo busca se desvincular do STF devido aos problemas gerados pelo escândalo envolvendo a instituição e Daniel Vorcaro.
O presidente intensificou esse posicionamento recentemente, durante entrevista ao ICL, aconselhando Alexandre de Moraes a preservar sua biografia e sugerindo que ele se declare impedido de analisar ações relacionadas ao banco, considerando que o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, recebeu cerca de R$ 80 milhões por consultoria jurídica ao Banco Master em dois anos.
A maior preocupação é que os desdobramentos do caso tenham impacto negativo na campanha de Lula, especialmente porque pesquisas indicam associação entre a atuação do governo e do STF.
Figuras importantes do PT, como o pré-candidato à Câmara José Dirceu e a ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann, têm defendido publicamente uma reforma no Poder Judiciário:
“Se formos falar de reformas em instituições, precisamos de reformas em várias áreas, inclusive na política. Está na hora de, após as eleições, pensarmos em como renovar as instituições nacionais, não só o Judiciário, mas também o Legislativo, por meio da reforma política e outras ações”, destacou Gleisi.
Apesar das declarações públicas, os assessores asseguram que o distanciamento é apenas temporário e de caráter formal.
Na prática, Lula mantém diálogo frequente com ministros do STF mais próximos, entre eles Flavio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
Esses interlocutores ressaltam que o distanciamento não significa abandono, mas sim uma demonstração de independência entre os poderes, o que não configura afastamento.
Alguns ministros do STF avaliam que a Corte poderá ser um dos temas centrais da campanha eleitoral de 2026, usada tanto por grupos da direita quanto da esquerda.
Esses ministros consideram que existe risco real de o STF se transformar em uma pauta eleitoral, não só para críticos tradicionais da Corte, mas também para candidatos aliados ao governo.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login