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Governo usa avanço do caso Master para enfraquecer Flávio Bolsonaro
Aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planejam explorar a conexão entre membros do Centrão e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, como forma de enfraquecer politicamente Flávio Bolsonaro (PL), concorrente do petista nas eleições. Essa tática, que já vinha sendo usada por agentes do Palácio do Planalto e aliados de Lula no Congresso, deve intensificar-se após o governo sofrer derrotas no Parlamento e com a Polícia Federal mirando o presidente do PP, Ciro Nogueira.
Governistas acreditam que destacar essa relação trará vantagens eleitorais para Lula, além de dificultar alianças entre a federação União Brasil-PP e o apoio à campanha do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, era considerado por parte do PL como um vice ideal para Flávio na disputa presidencial.
Desde o ano passado, membros do Palácio do Planalto e do PT trabalham para que a federação União Brasil-PP mantenha neutralidade na disputa nacional, liberando seus integrantes para votar conforme suas convicções. Após derrotas recentes do governo no Congresso e pesquisas mostrando Flávio numericamente à frente de Lula, há um receio entre aliados do petista quanto a uma possível coalizão formal entre a federação e o senador já no primeiro turno.
Após operação da Polícia Federal, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, indicou que aliados do governo adotarão essa linha de ataque, reutilizando o termo “Bolso Master” para vincular o escândalo ao clã Bolsonaro.
— Defendo que o Congresso dê uma resposta clara ao país: não pode haver qualquer suspeita de conluio para tentar encobrir as investigações do Banco Master. A nova fase da Operação Compliance Zero expõe a proximidade do governo Bolsonaro com o esquema do “BolsoMaster” — afirmou Paulo Pimenta.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, também mencionou um “consórcio entre extrema-direita e Centrão”:
— O foco era Ciro Nogueira, que tinha todas as qualidades para ser vice de Flávio Bolsonaro. Agora, de acordo com a PF, ele teria recebido valores mensais de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro e atuado em favor do Banco Master.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também associou Ciro Nogueira a Flávio Bolsonaro, dizendo:
— O vice ideal para Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, que recebia R$ 300 mil do Master. Precisa explicar mais?
Aliados de Lula consideram que essa estratégia pode melhorar a popularidade do governo. Após a derrota de Jorge Messias na disputa por vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), pesquisas internas indicaram uma recuperação na avaliação da administração petista, atribuída à associação feita entre a derrota na indicação de Messias e a tentativa parlamentar de frear as investigações do caso Master.
A pré-campanha de Lula vem acumulando informações para vincular o Banco Master à direita e a Flávio Bolsonaro. Grupos ligados ao PT têm divulgado conteúdos nesse sentido em aplicativos de mensagem. Na quinta-feira, o grupo Pode Espalhar soltou material afirmando que Ciro, “aliado de Bolsonaro”, foi alvo da operação da PF. A mensagem ressaltava que “quando o assunto é maracutaia, o bolsonarismo está sempre envolvido”.
A estratégia ainda está em desenvolvimento, buscando preservar membros do Centrão, enquanto o PT organiza suas bases estaduais. Existe a intenção de que as críticas ao grupo político sejam feitas principalmente pela militância, sem envolver grandes figuras do governo.
O Planalto enfrenta um dilema sobre como lidar publicamente com o caso. De um lado, há cautela devido a suspeitas envolvendo ministros do STF e Daniel Vorcaro. De outro, há movimentos para dar mais visibilidade às investigações, reforçando o discurso de que Lula combate o crime organizado e, especialmente, o crime do ‘andar de cima’, como o próprio presidente tem afirmado.
Recentemente, o Planalto orientou que integrantes do governo evitassem comentar a operação que atingiu Ciro Nogueira, para impedir que a oposição e o Centrão pintem a ação da PF como retaliação após a rejeição ao nome de Jorge Messias para o STF, a maior derrota recente do governo no Congresso, preservando o discurso de não interferência na Polícia Federal.
Na última operação relacionada ao Banco Master, em 16 de abril, o Planalto pediu ao ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e à Polícia Federal que concedessem entrevista coletiva para comentar a prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique. Essa iniciativa buscou destacar o empenho do Executivo no combate ao crime organizado, diante do receio de que o caso pudesse prejudicar Lula nas eleições.

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