Brasil
Ibovespa avança 1,39%, mas acumula perdas no mês e na semana
Amparado pelo tom favorável dos mercados internacionais, o Ibovespa conseguiu encerrar na quinta-feira (30) uma sequência negativa que se estendeu desde a última máxima histórica alcançada em 14 de abril. Durante esse período, o índice teve apenas um leve ganho em 20 de abril, seguido por seis quedas consecutivas.
Na primeira quinzena de abril, o Ibovespa atingiu novos recordes históricos, mas a segunda metade do mês foi marcada por realização de lucros, o que levou o índice a encerrar abril praticamente no mesmo nível que março, com uma leve tendência de queda.
Após uma queda de 0,70% em março, o índice da Bolsa brasileira mantém uma trajetória suavemente descendente nos últimos dois meses, quebrando uma sequência de ganhos que durou sete meses, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026. Em abril, a variação do Ibovespa foi praticamente estável, com uma leve queda de 0,08%, terminando o mês em 187.317,64 pontos.
A estabilidade em abril foi garantida pelo ganho de 1,39% no último pregão do mês, quando o índice saiu dos 184.758,66 pontos na abertura para uma máxima diária de 187.920,77 pontos. Mesmo assim, a bolsa acumulou uma retração de 1,80% na semana, após semanas anteriores também negativas, levando o rendimento acumulado no ano para 16,26%. O volume financeiro do último pregão foi expressivo, somando R$ 28,8 bilhões, justo antes do feriado de sexta-feira no Brasil.
Além das preocupações geopolíticas causadas pela suspensão da passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz, os investidores começam a focar mais na temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026, ainda em andamento no Brasil e nos Estados Unidos, bem como nos desdobramentos da agenda pré-eleitoral que indicam enfraquecimento do governo para as eleições de outubro.
Após o fechamento dos mercados na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) adotou uma postura de juros mais rígida, alinhada ao viés hawkish, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma derrota inesperada com a rejeição no Senado à indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal — um fato raro na história recente do país.
Na quinta-feira, o governo enfrentou outro revés legislativo, com o veto presidencial ao projeto de redução das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 sendo derrubado, incluindo condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essas derrotas indicam um aumento das forças da oposição, conforme demonstram pesquisas recentes de intenção de voto.
Conforme o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz, o principal motor do avanço do Ibovespa continua sendo o fluxo de investimentos estrangeiros, que veem o Brasil como beneficiado pela crise energética no Oriente Médio, dada sua condição de exportador líquido de petróleo, o que impacta positivamente o balanço de pagamentos e as contas públicas.
Kautz também observa que parte dos investimentos estrangeiros pode estar migrando da renda variável para a renda fixa, embora os dados cambiais ainda indiquem influxo de recursos no país. Na quinta-feira, o dólar comercial caiu 0,98%, cotado a R$ 4,9527.
Na arena internacional, o bloqueio do Estreito de Ormuz persiste, com o petróleo Brent acima de US$ 100. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a indicar possível retomada de ações militares contra o Irã, intensificando a aversão ao risco, embora o final da semana tenha trazido um leve alívio com a ausência de novos confrontos, mantendo o cenário global vulnerável e sem perspectivas claras de solução.
Na B3, a valorização das ações da Petrobras durante a tarde não foi suficiente para garantir um mês positivo ao Ibovespa, apesar de sua importância para o equilíbrio do índice frente à correção generalizada das outras principais ações. A Vale obteve uma valorização positiva na sessão, mas fechou o mês em queda, enquanto as ações da Petrobras registraram ganhos em abril.
Entre os bancos, o último pregão do mês foi favorável, com destaque para o Banco do Brasil, que avançou 2,30%. No acumulado do mês, Bradesco se destacou pelos ganhos. Entre as maiores altas da sessão, destacaram-se Hapvida, CPFL e Azia, enquanto Suzano, Hypera, Klabin e Iguatemi foram as maiores quedas.
Por fim, o sentimento dos agentes financeiros brasileiros permanece cauteloso em relação ao desempenho do Ibovespa na próxima semana. Segundo o Termômetro Broadcast Bolsa, 44,44% dos profissionais esperam que o índice tenha uma queda, 33,33% projetam alta e 22,22% esperam estabilidade.

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