Economia
Ibovespa opera perto da estabilidade, com suporte do petróleo e cautela externa
O Ibovespa iniciou a segunda-feira, dia 27, praticamente estável, apresentando uma leve tendência de alta, impulsionado pela valorização do petróleo no contexto das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das expectativas sobre as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além dos indicadores de inflação previstos para esta semana.
Na última sexta-feira, o índice fechou com queda de 0,33%, aos 190.745,02 pontos, o menor patamar desde 7 de abril, acumulando três quedas consecutivas e um recuo semanal de 2,55%. Esse desempenho refletiu o agravamento do sentimento global devido ao impasse entre Estados Unidos e Irã, com impacto direto sobre o petróleo e os ativos considerados de risco.
Em entrevista à Fox News no fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou enviar uma delegação americana ao Paquistão para negociar com o Irã a resolução do conflito no Oriente Médio, mas afirmou que a guerra terminará “em breve” e que Washington sairá vitoriosa.
Hoje, as bolsas de Nova York operam em leve queda, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro sobem, diante da expectativa por uma agenda intensa de decisões de políticas monetárias, incluindo o Federal Reserve nos EUA e o Copom no Brasil, além da divulgação de indicadores econômicos relevantes como o PCE, o PIB dos EUA e o IPCA-15 no país.
Internamente, além do noticiário político e da agenda cheia dos próximos dias, indicadores recentes apontam para um cenário de pressão sobre os custos, combinado com sinais de desaceleração na atividade econômica.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou para alta de 1,04% em abril, após avanço de 0,36% em março, acumulando aumento de 6,28% em 12 meses, conforme dados da Fundação Getulio Vargas. Ao mesmo tempo, o Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 1 ponto no mês, chegando a 92,6 pontos, o menor nível desde março de 2022. Já o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) desacelerou para 0,90% na terceira quadrissemana de abril, em comparação com 0,96% na leitura anterior.
O Boletim Focus também mostra um agravamento nas expectativas de inflação. A mediana para o IPCA de 2026 subiu pela sétima semana consecutiva, de 4,80% para 4,86%, ampliando a distância em relação ao teto da meta do Banco Central, que é 4,50%. Para 2027, a projeção avançou de 3,99% para 4,0%.
No radar, estão a adoção da bandeira tarifária amarela para maio e a previsão de aumento de 18% no preço do querosene de aviação pela Petrobras a partir de 1º de maio, segundo o jornal Valor Econômico. Em termos políticos, a pesquisa BTG/Nexus aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 41% das intenções de voto no primeiro turno, liderando o senador Flávio Bolsonaro, que tem 36%. Em um possível segundo turno, ambos aparecem tecnicamente empatados.
A proximidade do fim do mês pode aumentar a volatilidade. Às 11h10, o Ibovespa registrava alta de 0,14%, às 191.019,57 pontos.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login