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Irã não vai reabrir Estreito de Ormuz após apreender navios
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, figura política de destaque, afirmou nesta quarta-feira (22) que o Estreito de Ormuz não será reaberto enquanto os portos iranianos estejam bloqueados pelos Estados Unidos. A chancelaria iraniana evitou comentar sobre a extensão da trégua atual.
Mesmo com o anúncio de prorrogação indefinida do cessar-fogo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, as tensões permanecem no Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio de hidrocarbonetos que afeta a economia mundial.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que interceptou dois navios mercantes que tentavam passar pela rota estratégica, bloqueada desde o início do conflito em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país.
Donald Trump sinalizou a possibilidade de um segundo ciclo de negociações entre Washington e Teerã nos próximos dias, conforme noticiado pelo The New York Post.
A Guarda Revolucionária, corpo responsável pela proteção da República Islâmica, informou em comunicado a detenção dos dois navios que infringiram a passagem pelo Estreito de Ormuz.
A Casa Branca esclareceu que a apreensão não constitui violação do cessar-fogo, pois as embarcações não eram americanas nem israelenses, mas internacionais, segundo a porta-voz Karoline Leavitt.
Leavitt também disse que Donald Trump não estabeleceu um prazo para que o Irã apresente uma proposta de paz.
Os Estados Unidos têm bloqueado navios que entram e saem dos portos iranianos, ao passo que o Irã exige autorização para a passagem pelo Golfo através do Estreito de Ormuz, rota que normalmente transporta um quinto das exportações globais de petróleo e gás em tempos de paz.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um terceiro navio, um cargueiro costejando Omã, foi alvo de disparos vindos de uma embarcação iraniana, confirmando a tensão nas águas regionais.
Esses episódios denunciam a fragilidade do cessar-fogo em meio à indefinição sobre a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã.
Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou as negociações anteriores com os EUA, declarou no X que o cessar-fogo só tem sentido se não for violado por bloqueios navais, e ressaltou que a reabertura do Estreito de Ormuz é inviável enquanto houver violações claras da trégua.
Incertezas nas negociações
Antes desses incidentes, Donald Trump anunciou que a trégua foi estendida a pedido do Paquistão, destacando a importância de permitir que o governo iraniano fragilizado formule uma proposta para encerrar o conflito.
O futuro das negociações de paz, mediadas pelo Paquistão, permanece incerto após o fracasso do primeiro ciclo, realizado entre 11 e 12 de abril em Islamabad, sem avanços significativos para finalizar uma guerra que causou milhares de mortos, principalmente civis no Irã e no Líbano.
Apesar dos anúncios sobre a viagem do vice-presidente JD Vance ao Paquistão, ele permaneceu em Washington para reuniões, segundo informações da Casa Branca.
O Irã não confirmou se enviará delegação para as negociações e declarou que valoriza os esforços do Paquistão como mediador, sem se manifestar sobre a prorrogação do cessar-fogo.
Conflito também no Líbano
No Líbano, outro foco do conflito, quatro pessoas foram mortas e duas ficaram feridas em ataques israelenses, mesmo com a trégua de dez dias em vigor, conforme a agência de notícias estatal libanesa.
Uma jornalista libanesa faleceu e outra pessoa ficou ferida em ataque israelense próximo à fronteira entre os dois países, informou o jornal Al-Akhbar.
Israel e Líbano têm previstas novas conversas diretas entre embaixadores em Washington na quinta-feira, após o encontro inicial na semana passada.
Fontes oficiais informaram que o Líbano irá solicitar em Washington a extensão da trégua por mais um mês, o respeito rigoroso ao cessar-fogo e o fim das operações de destruição por parte de Israel nas áreas onde está presente.
Segundo dados oficiais divulgados na terça-feira, o conflito no Líbano já resultou em mais de 2.400 mortos em seis semanas, com grande parte das vítimas sendo civis.

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