Brasil
STF discute valor básico para evitar dívidas altas
O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta quarta-feira (22) a decisão sobre a definição do valor básico anual que deve ser preservado para impedir que as pessoas se endividem demais.
A Corte analisa a legalidade de medidas que regulamentaram a Lei 14.181 de 2021, conhecida como Lei do Superendividamento.
Essas regras estabeleceram o conceito de valor essencial para proteger o consumidor, evitando que empréstimos comprometam toda a renda mensal com o pagamento de dívidas.
Em 2022, um decreto da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro definiu esse valor em R$ 303, correspondendo a 25% do salário mínimo daquele ano. Já em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atualizou o valor para R$ 600, que é o vigente atualmente.
Após a publicação dos decretos, a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e a Associação Nacional dos Defensores Públicos (Anadep) entraram com ações no STF, questionando o valor e alegando que é insuficiente para garantir condições mínimas de dignidade.
Até o momento, a maioria dos ministros está inclinada a decidir que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve realizar estudos para atualizar anualmente esse valor básico.
No entanto, os ministros preferiram suspender o anúncio do resultado final para aguardar o voto do ministro Nunes Marques, que não participou da sessão.
A data para a continuidade do julgamento ainda não foi marcada.
Bets e superendividamento
O julgamento teve início em dezembro do ano passado, mas foi interrompido por um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.
Na sessão de hoje, Moraes afirmou que o aumento do superendividamento está relacionado à regulamentação dos jogos eletrônicos, conhecidos como “bets”.
“Quase 78% das famílias estão endividadas, sendo que um quarto da população não consegue pagar suas dívidas no prazo e acaba usando juros rotativos”, explicou.
Luiz Fux também destacou que as ‘bets’ são a principal causa do endividamento entre a população.
“As pessoas utilizam o dinheiro destinado ao consumo básico e ao valor essencial para apostar em bets. Este é um problema urgente”, afirmou.
O relator do processo, ministro André Mendonça, comentou que o valor do mínimo existencial poderia ser maior. Contudo, ele observou que um aumento judicial poderia limitar o acesso ao crédito.
“Se decidíssemos aumentá-lo para o valor de um salário mínimo, por exemplo, cerca de 32 milhões de cidadãos poderiam ser excluídos do mercado de crédito”, ponderou.
Flávio Dino ressaltou a importância do consumo responsável e defendeu o direito das famílias ao acesso ao crédito.
“Sem crédito, não há consumo, e o consumo é essencial para a dignidade humana. Já o consumismo exagerado é o oposto da dignidade, normalmente resultado de manipulações nocivas que levam a problemas familiares”, concluiu.

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