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Mais de 140 mortos ao tentar entrar em Ceuta, dizem ONGs

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Organizações marroquinas de defesa dos direitos humanos estimaram nesta sexta-feira (7) que pelo menos 141 pessoas perderam a vida na última semana ao tentarem chegar ao enclave espanhol de Ceuta, muitas nadando, e alertam que o número pode aumentar.

Na semana passada, cerca de 72 mil migrantes entraram ilegalmente em Ceuta, um recorde para um período tão curto. Desses, 70 mil foram devolvidos ao Marrocos, segundo o Ministério do Interior da Espanha.

Achraf Mimoun, presidente da seção local da Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH), disse durante uma entrevista coletiva em Rabat: “Acredito que o número de mortos será, infelizmente, muito alto e continuará crescendo”.

A AMDH e a Coordenação Europeia para os Direitos Humanos no Marrocos, que reúne ONGs marroquinas sediadas na Europa, baseiam essas estimativas em dados oficiais, reportagens da imprensa e informações coletadas por organizações de defesa dos direitos humanos. Ainda é necessário incluir dados sobre desaparecidos e feridos, explicou.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos, órgão consultivo e independente do Marrocos, divulgou um balanço de 14 falecidos no lado marroquino da fronteira, enquanto o governo havia informado anteriormente 11 mortes. As autoridades espanholas contabilizaram pelo menos 80 óbitos do lado espanhol.

Mimoun destacou que várias famílias ainda aguardam notícias sobre seus parentes desaparecidos. Ele também mencionou que 21 corpos ainda não foram identificados no necrotério de Tetuão, a maior cidade marroquina próxima a Ceuta.

Durante a entrevista, as ONGs reforçaram o pedido por uma investigação independente, transparente e rigorosa sobre os fatos. Segundo essas entidades, 111 pessoas foram presas durante a tentativa de entrada em Ceuta, mas até agora não foram divulgadas informações oficiais sobre detenções ou processos judiciais relacionados.

Na sexta-feira passada, um repórter da AFP presenciou ao menos 30 prisões enquanto a polícia marroquina usava canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar migrantes que tentavam entrar em Ceuta e que arremessavam pedras contra os agentes.

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