Brasil
Mendonça autoriza volta de Vorcaro à cela especial na PF de Brasília
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça concedeu, nesta sexta-feira, permissão para que o banqueiro Daniel Vorcaro retorne a uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.
A decisão foi tomada após um pedido da defesa do empresário, que vinha reclamando das condições da cela comum para onde havia sido transferido recentemente.
Vorcaro mencionou problemas relacionados ao espaço limitado e à falta de higiene na cela.
O retorno à cela especial é visto como uma nova chance para que o ex-proprietário do Banco Master avance nas negociações de colaboração com as autoridades.
Até o momento, os investigadores consideram que as provas apresentadas pela defesa ainda não são suficientes frente ao conjunto de evidências já recolhidas pela PF.
Nesta sexta-feira, também foi oficializada a saída do advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, da defesa de Vorcaro.
A decisão de deixar a equipe ocorreu em comum acordo e está relacionada ao desgaste nas negociações de um possível acordo de delação premiada, além da resistência do empresário em apresentar informações inéditas relevantes para as investigações.
A mudança acontece após a rejeição da primeira proposta de delação feita por Vorcaro pela PF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também não aprovou o material apresentado, mas deu uma nova oportunidade para que sejam entregues provas e relatos que possam esclarecer o esquema de fraudes bilionárias, aumentando a pressão sobre os advogados do banqueiro.
As autoridades acreditam que os dados extraídos dos celulares dos investigados, incluindo o próprio Vorcaro, contêm muito mais informações do que as listadas no rascunho da delação apresentado até agora.
Enquanto buscava fechar o acordo, Vorcaro viu os investigadores intensificarem a investigação contra seus familiares. O pai dele, o empresário Henrique Vorcaro, está preso em uma penitenciária de Minas Gerais desde 14 de maio.
Henrique Vorcaro é investigado como um dos operadores financeiros do grupo apelidado de “A Turma”, acusado de organizar e financiar ações de intimidação contra adversários de Vorcaro, segundo a PF.
A proteção aos familiares era um dos pontos que Vorcaro buscava garantir no acordo de colaboração que negociava com a equipe da PGR e da PF.
Juca, advogado criminalista de renome, já atuou em casos de grande repercussão, como a Operação Lava Jato, defendendo o empresário Léo Pinheiro, da OAS, e também esteve à frente da defesa do general Walter Braga Netto em processo envolvendo trama golpista.

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