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Por que o advogado de Vorcaro saiu do caso?

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Após enfrentar diversos problemas relacionados ao seu processo de delação premiada, que permanece estagnado, Daniel Vorcaro, dono do banco Master, optou por dispensar seu advogado, o criminalista José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca. No mês passado, a equipe liderada por Juca apresentou anexos de uma proposta de colaboração, que foram avaliados pelos investigadores como “insuficientes” e “parciais”.

A notícia foi divulgada pelo blog da Andréia Sadi, do portal g1, e confirmada pelo GLOBO.

A saída do advogado em menos de três meses ocorreu em meio a desentendimentos com membros da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR), e do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, responsável pelo caso Master no STF.

Recentemente, a Polícia Federal informou à defesa que não daria continuidade às negociações, alegando que, na visão deles, Vorcaro estava omitindo informações sobre casos já identificados pelos investigadores.

A PGR decidiu conceder uma nova chance para a entrega de uma versão revisada da delação, porém deixou claro que isso não garantia a formalização do acordo.

De acordo com a coluna de Malu Gaspar, do GLOBO, houve um confronto acalorado entre Juca e o ministro André Mendonça, que declarou que não atenderia mais os advogados de Vorcaro em seu gabinete, episódio que teria ocorrido no início de maio.

Essa discordância foi sobre o encaminhamento da delação de Vorcaro, que ainda não havia sido formalizada, mas que já era comentada nos bastidores. Segundo relatos, Mendonça afirmou que a proposta do banqueiro seria rejeitada caso ocultasse fatos ou não trouxesse informações inéditas.

Juca respondeu que, nesse caso, recorreria à Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, da qual Mendonça faz parte.

Essa resposta foi interpretada pelo ministro como um desafio, já que apenas quatro dos cinco ministros da Turma participam das votações referentes ao caso Master, dado que Dias Toffoli se declarou suspeito e deixou a relatoria em fevereiro deste ano. Em caso de empate, a decisão seria favorável ao réu.

Além disso, Vorcaro demonstrou insatisfação com dois acontecimentos recentes: a prisão de seu pai, Henrique Vorcaro, na quinta fase da Operação Compliance Zero, indicando que as investigações se aproximam de seus familiares, o que contrariava um dos pedidos do banqueiro para fechar o acordo; e a mudança de cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Apesar do motivo alegado de facilitar o acesso dos advogados, Vorcaro foi retirado da sala de Estado Maior, onde estava junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado no processo da trama golpista.

Após a entrega da versão inicial de sua delação, que desagradou os investigadores, ele foi transferido para uma cela comum e passou a ter restrições nas visitas dos advogados.

Conhecido no meio jurídico, Juca já defendeu clientes em casos importantes, como a Operação Lava Jato, representando Leo Pinheiro, da OAS; e no processo da trama golpista, atuando para o general Walter Braga Netto.

Outro advogado próximo a Vorcaro, o mineiro Sérgio Leonardo, continuará atuando na defesa do banqueiro, realizando a maioria das visitas à carceragem. Até o momento, Vorcaro não decidiu quem será seu próximo defensor.

Anteriormente, Roberto Podval era o advogado de Vorcaro, mas desistiu do caso por desconforto com as negociações da delação e a possibilidade de envolver antigos clientes do ramo político e jurídico.

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