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MP investiga chefe Geddel por suspeita de propina na fuga do líder do CV
O Ministério Público da Bahia está conduzindo uma investigação sobre o ex-deputado federal Geddel Vieira Lima (MDB), que é suspeito de receber uma propina de R$ 1 milhão relacionada à fuga de Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, líder do Primeiro Comando de Eunápolis, uma facção ligada ao Comando Vermelho no sul do Estado.
Conversas recuperadas dos celulares de dois investigados na Operação Duas Rosas mencionam Geddel, referido como “chefe” por seus interlocutores — o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. Esta última firmou um acordo de delação premiada e confessou seu envolvimento na fuga de “Dadá” e outros 15 detentos em 12 de dezembro de 2024.
A Operação Duas Rosas, iniciada em 16 de janeiro, recebeu esse nome porque “rosas” era um código usado para dinheiro nas conversas interceptadas. O termo aparecia em expressões como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” ou “choram as rosas”, simbolizando o pagamento dos valores combinados.
Joneuma, indicada politicamente por Uldurico Júnior para comandar o presídio, permitia privilégios aos detentos ligados à facção, incluindo acesso livre a eletrodomésticos, refeições diferenciadas, visitas íntimas e circulação irrestrita pelas dependências.
Durante o período em que esteve à frente da direção, Geddel Vieira Lima visitou a unidade diversas vezes, sempre de forma reservada e sem registro oficial, encontrando-se com “Dadá”.
O inquérito indica que uma parte da propina paga pela facção foi entregue em espécie em uma caixa de sapatos a Uldurico Júnior, um mês antes da fuga. Os valores restantes foram divididos entre depósitos bancários e transferências via Pix, todos sob monitoramento do Ministério Público.
Pressionada por Uldurico Júnior, Joneuma colaborou com a justiça, detalhando o plano da fuga e revelando as ameaças que sofreu para não denunciar os envolvidos.
Nas mensagens recuperadas, Uldurico afirmava que metade do dinheiro da fuga seria para ele e a outra metade para o “chefe”, referindo-se a Geddel Vieira Lima. Ele também enviava capturas de conversas atribuídas a Geddel e cobrava o pagamento da propina usando expressões codificadas relacionadas ao termo “rosas”.
O planejamento da fuga previa a saída apenas de “Dadá” e seu braço direito, mas outros internos escaparam antes do combinado, fato atribuído por Joneuma a uma decisão do próprio “Dadá”.
A Promotoria conclui que as mensagens indicam uma tentativa de Uldurico Júnior de repassar informações distorcidas ao ex-deputado para desviar a responsabilidade pela fuga e pelos pagamentos relacionados.
Em um dos diálogos, o ex-deputado demonstrava nervosismo quanto à cobrança do pagamento: “O que eu falo pro chefe quando ele perguntar da rosa? Na cabeça dele já chorou. To nervoso. Sem saber bem como falo”. Também disse: “Se não der to morto. Estão mirando uma bazuca em mim”.
Essas mensagens revelam a pressão constante exercida por Uldurico Júnior para receber o restante dos dois milhões de reais relacionados ao esquema criminoso.

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