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Multidão exige saída do chefe eleitoral em Nova Délhi

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Uma grande multidão de cidadãos indianos tomou as ruas centrais de Nova Délhi, empunhando a bandeira nacional e pedindo a demissão do líder da Comissão Eleitoral do país, em um claro sinal de insatisfação contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi.

Os manifestantes se reuniram em Connaught Place, uma área comercial de grande movimento na capital, seguindo convocação do movimento juvenil “Barata”. O líder do grupo, Abhijeet Dipke, foi preso pela polícia antes do início do protesto. Pessoas de várias idades participaram, demonstrando a insatisfação generalizada e a pressão crescente contra a autoridade eleitoral.

Os protestos, organizados por jovens e partidos da oposição, aumentaram devido a uma revisão das listas eleitorais que retirou mais de 130 milhões de nomes desde o ano anterior. Críticos afirmam que o processo tem razões políticas, ameaça direitos de voto de milhões de pessoas e impacta principalmente minorias, especialmente muçulmanos. Eles pedem a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar.

A Comissão Eleitoral e o governo do Narendra Modi rejeitam as alegações, afirmando que a revisão visa eliminar registros duplicados e pessoas que não cumprem os critérios para votar.

O protesto da última sexta-feira (16) integra uma campanha crescente contra o governo e ocorreu uma semana após uma ação policial contra manifestantes em Nova Délhi.

Os manifestantes superavam amplamente o número de policiais ao longo da avenida, enquanto grupos de choque acompanhavam a mobilização.

A polícia havia solicitado que a população não participasse do ato e autorizou apenas que grupos pequenos se reunissem para agitar a bandeira nacional e cantar o hino. Como medida preventiva, o Central Park, localizado na área colonial próxima a Connaught Place, foi fechado na sexta (16) e no sábado (17).

Narendra Modi não comentou publicamente sobre os protestos. Líderes de seu partido chamaram os manifestantes de “anarquistas” e insinuaram, sem provas, que recebem ajuda de potências estrangeiras.

Antes das manifestações, a polícia prendeu Abhijeet Dipke, fundador do movimento “Barata”, que encorajava seus apoiadores a levantar a bandeira e protestar localmente caso não pudessem ir até Nova Délhi.

Um vídeo ao vivo na conta do movimento no Instagram mostrou Dipke sendo abordado pela polícia, conversando brevemente com os agentes antes de ser levado em uma viatura.

“Agitar a bandeira da Índia não é crime”, declarou ele à imprensa.

O movimento “Barata” iniciou como uma iniciativa satírica nas redes, após o presidente da Suprema Corte da Índia comparar jovens desempregados a parasitas. Muitos jovens adotaram esse símbolo de resistência e transformaram a ação em um movimento nacional.

Manifestações organizadas por eles já culminaram na renúncia do ministro da Educação em julho, um revés incomum para o premiê que está no poder há mais de uma década.

Ainda é incerto se esses protestos evoluirão para um movimento político maior. O governo do Narendra Modi mantém forte base eleitoral, e a revolta contra a revisão eleitoral nem sempre se traduz em apoio à oposição, que tem usado o tema para criticar a administração nacionalista hindu.

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