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Navios de guerra marroquinos cruzam águas de Ceuta, diz El País

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Navios de guerra do Marrocos entraram nas águas territoriais de Ceuta durante e após a chegada de migrantes em julho, configurando uma violação incomum da soberania espanhola nesse território no norte da África, conforme reportou o jornal El País nesta segunda-feira (12).

Na véspera da primeira visita real a Ceuta desde 2007, que poderá testar as sensíveis relações entre Espanha e Marrocos, o jornal revelou que pelo menos uma fragata do Marrocos e diversas embarcações de patrulha entraram nas águas espanholas sem permissão prévia, segundo fontes que optaram por permanecer anônimas.

“Não foi uma passagem casual ou acidental, mas sim uma violação intencional e repetida do mar territorial, um episódio raro”, publicou o El País.

As incursões continuaram durante os primeiros dias de agosto, em meio a uma grande tensão, quase resultando em uma colisão entre navios militares dos dois países, acrescentou o jornal.

Essas movimentações terminaram com a intervenção da Marinha espanhola e do Ministério da Defesa. Ainda persiste a dúvida se o governo de Rabat teve algum envolvimento na entrada de mais de 70 mil migrantes do Marrocos para Ceuta nos dias 30 e 31 de julho.

Políticos da direita espanhola afirmam que o Marrocos teria orquestrado essas invasões por razões políticas, enquanto Rabat reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, outro território espanhol na África do Norte.

No entanto, o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, que busca melhorar as relações com Rabat durante seus oito anos no cargo, declarou que não há “provas consistentes” para apoiar tais alegações.

O rei do Marrocos, Mohammed VI, falou sobre o assunto na sexta-feira, criticando “as declarações irresponsáveis de certos grupos políticos e da mídia e a exploração indevida dessa situação”, em referência às críticas da Espanha.

Diante do Parlamento, o rei afirmou que a parceria de seu país com a Espanha é uma “decisão soberana e um compromisso voluntário, que não deve ser alvo de pressão, ameaças ou chantagens”.

Fontes do El País não quiseram especular sobre uma possível coordenação entre as incursões navais e a chegada dos migrantes, mas destacaram que o episódio elevou a tensão entre os dois países.

Tentativas de contato com o Ministério da Defesa espanhol não tiveram resposta.

Felipe VI e a rainha Letizia visitarão Ceuta na terça-feira. A última visita real a Ceuta foi feita pelo rei emérito Juan Carlos I em 2007, que gerou uma crise diplomática significativa.

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