Mundo
Netanyahu acusado de usar medo do Irã para votos
A oposição em Israel acusou, nesta segunda-feira (26), o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de provocar medo em relação ao Irã para atrair eleitores, uma acusação contestada pelo ministro da Defesa na véspera das eleições legislativas.
Em uma disputa acirrada nas pesquisas com o centrista Gadi Eisenkot, principal rival, Netanyahu multiplicou avisos alarmantes sobre a ameaça iraniana durante a campanha, que se tornou um plebiscito sobre sua liderança.
No domingo (25), Netanyahu postou no X uma imagem de uma explosão atômica sobre Tel Aviv, junto a um texto que apresenta o Irã como uma ameaça extrema e menciona o risco de uma “segunda tragédia” caso o Irã seja derrotado.
“A existência física de nosso povo está em risco se o Irã conseguir armas nucleares. Todos os recursos do país devem se concentrar nessa missão para garantir nosso futuro. Não podemos fracassar na tarefa crucial, independentemente das rupturas políticas internas.” — Benjamin Netanyahu
Netanyahu também alertou sobre possível interferência iraniana nas eleições, citando informações de serviços de inteligência.
O Canal 12 divulgou que o comandante do Exército, Eyal Zamir, solicitou discussão detalhada com Netanyahu após ordens para uma operação que poderia desencadear conflito com o Irã, buscando garantias legais e autorizações dos líderes antes de agir.
A emissora descreveu o confronto como “sem precedentes” e indicou que o Exército desejava tornar seus questionamentos públicos, uma impressão reforçada pela autorização da censura militar para divulgar a notícia.
Um dos oponentes de Netanyahu, seu ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, pediu investigação por “traição”, acusando o primeiro-ministro de colocar a vida dos soldados em risco por medo de derrota eleitoral.
Por outro lado, o ministro da Defesa, Israel Katz, rejeitou as alegações como falsas, garantindo que não há planos de atacar o Irã antes das eleições.
Netanyahu negou em mensagens públicas as informações vazadas no domingo (25).
Fontes anônimas do Exército expressaram receio de que Netanyahu use a questão iraniana para obter benefícios políticos.
Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, advertiu contra o uso do Exército para fins políticos por Netanyahu, afirmando que o interesse político não deve se sobrepor à segurança nacional.
“A segurança de Israel não pode ser tratada como um jogo político. Vidas civis e militares não podem ser negociadas.” — Gadi Eisenkot
Nos últimos meses, Netanyahu descreveu Eisenkot como uma ameaça ao futuro do país, acusando-o de apoiar a criação de um Estado palestino, uma afirmação rejeitada pelo próprio Eisenkot.
Yair Lapid, líder da oposição, criticou duramente Netanyahu, afirmando que ele perdeu o controle e deveria ser afastado.
O Irã declarou que o resultado das eleições israelenses pouco impactará a República Islâmica, que sofre ataques israelenses desde junho de 2025.
Segundo porta-voz iraniano, o regime israelense é responsável pela violência na região e a liderança que assumir o país não mudará essa realidade.
Netanyahu, apoiado pelo ex-presidente americano Donald Trump, intensificou a retórica agressiva contra o Irã nas últimas semanas.
Na semana anterior, afirmou que derrubar o governo iraniano seria a única maneira de eliminar a ameaça representada por Teerã. Relatos recentes indicam que Netanyahu pressionou Trump a iniciar uma nova série de ataques aéreos contra o Irã antes das eleições.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login