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Oposição boicota eleição na Alerj por causa do voto aberto
Pouco antes de começar a votação que vai decidir o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), partidos oposicionistas anunciaram que não participarão do pleito. Deputados de partidos como PSD — que tem como integrante Eduardo Paes, ex-prefeito —, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL indicaram que vão abster-se. A expectativa é que pelo menos 25 deputados não votem, o que pode reduzir o número de participantes e aumentar o domínio da base governista no resultado. Para a votação ser válida, é necessário que pelo menos 36 deputados estejam presentes, o que corresponde à maioria absoluta.
A decisão de se manter afastado do pleito vem da insatisfação com o método de votação adotado. A eleição ocorrerá com voto aberto, algo que para os deputados da esquerda pode gerar pressões e retaliações políticas contra os parlamentares. Nos bastidores, integrantes da oposição afirmam que essa ausência também tem o objetivo de enfraquecer politicamente o processo e reforçar a contestação jurídica que já tramita.
Por outro lado, a base governista trabalha para garantir a vitória do deputado Douglas Ruas (PL), favorito para a presidência. A avaliação dos aliados é que, mesmo com o boicote, Douglas Ruas deve conseguir maioria folgada entre os presentes, com a previsão de alcançar ao menos 40 votos.
Na parte da manhã, deputados de partidos conservadores se reuniram no gabinete do presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), para alinhar estratégia e discurso para a votação. Segundo fontes próximas à presidência da Casa, o grupo discutiu não apenas a eleição, mas também os possíveis desdobramentos após a nomeação do novo presidente do Legislativo.
Entre os cenários considerados, existe um plano para a hipótese de Douglas Ruas enfrentar impedimentos jurídicos que o impeçam de assumir o governo do estado em caso de linha sucessória — um tema delicado nas discussões internas. Caso isso aconteça, a estratégia é que, mesmo eleito presidente da Alerj, Douglas Ruas se afaste temporariamente do cargo para focar na campanha eleitoral, evitando riscos políticos e jurídicos.
Assim, Guilherme Delaroli ficaria como presidente interino, mantendo a administração da Casa e preservando o arranjo político que a base construiu. Essa alternativa é vista como um modo de superar incertezas jurídicas sem perder controle político da Assembleia.
Na oposição, além do boicote, houve desistência na tentativa de lançar um candidato competitivo. O deputado Vitor Junior (PDT) retirou sua candidatura após a confirmação do voto aberto. Os aliados acreditam que não haveria condições para uma disputa justa nessas circunstâncias.
O PDT entrou com uma ação judicial para que a eleição seja feita com voto secreto. O partido argumenta que o voto aberto compromete a independência dos deputados e viola princípios do processo legislativo, expondo publicamente as escolhas individuais.
A disputa deve ir além da Assembleia Legislativa. Deputados da esquerda afirmam que, se a eleição for mantida com voto aberto e o resultado confirmado, irão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular o pleito. A ideia é solicitar a convocação de uma nova eleição, com voto secreto.
Segundo esses parlamentares, a principal justificativa é que o formato atual não assegura liberdade total no voto, já que os deputados poderiam sofrer retaliações políticas dentro da Casa, nas suas bases eleitorais ou em suas relações com o Executivo.
Esse cenário de indefinição jurídica ocorre em um momento de rearranjo político no estado do Rio de Janeiro. A eleição para a presidência da Alerj ganhou importância estratégica, dado os possíveis desdobramentos na linha sucessória do governo e a influência que a presidência da Casa exerce sobre as pautas e articulações no Legislativo.

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