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Patrocínio de apostas representa quase 8% da receita dos clubes da Série A

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As casas de apostas, proibidas de operarem no Brasil por uma medida provisória do governo federal, responderam por 7,9% das receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, segundo os balanços financeiros de 2025. Os apostadores terão até 5 de outubro para sacar seus saldos das plataformas, data limite para a retirada de publicidades e patrocínios relacionados.

A MP, assinada pelo presidente Lula na tarde desta sexta-feira, inicialmente visava proibir cassinos online, mas acabou abrangendo todas as operações das casas de apostas. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A em 2026 contam com estas empresas como patrocinadoras principais.

Embora o número de clubes com esse tipo de patrocínio tenha diminuído em comparação a 2025, os times defendem que as apostas são relevantes não só para as agremiações, mas também para competições, direitos de nomeação de estádios, publicidade na TV e placas nos estádios.

Na última sexta-feira, o Flamengo criticou a medida do presidente Lula, argumentando que a mudança prejudicará tanto o esporte quanto a economia. O clube ressalta que a regulamentação vigente foi resultado de extensas discussões e garante fiscalização e tributação apropriadas.

Segundo Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, em entrevista à CNN Brasil: “Estimamos que as perdas imediatas de receita para o próximo ano fiquem entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões. Sem uma preparação adequada, é impossível conter esse impacto negativo”.

Com base nos patrocínios de 2025, os aportes das casas de apostas totalizaram R$ 1,14 bilhão, representando 7,9% das receitas totais dos clubes no ano passado. No acumulado, os 20 clubes registraram R$ 14,9 bilhões em faturamento e têm dívidas que somam R$ 14,3 bilhões.

Quatro clubes da Série A em 2025 obtiveram mais de 10% de suas receitas diretamente via patrocínios com casas de apostas: Corinthians (17,3%), Flamengo (12,71%), Sport (12,64%) e Juventude (10,49%).

A Esportes da Sorte prevê uma receita anual de R$ 150 milhões para o Corinthians, equivalente a 17,3% dos R$ 863,68 milhões faturados pelo clube no último exercício financeiro. Desde dezembro de 2022, o clube já contou com patrocínios de outras duas casas de apostas, incluindo a Vai de Bet, que está sob investigação do Ministério Público.

O São Paulo, patrocinado pela Superbet, recebeu R$ 80 milhões em 2025, o que representa 7,48% dos R$ 1,07 bilhão faturados. O clube mantém acordos com casas de apostas desde 2019. A marca está presente na camisa desde dezembro de 2023 e, em 2026, o aporte aumentou para R$ 95 milhões.

O Santos, que assinou em 2026 com a Novibet por R$ 35 milhões, ainda tinha em 2025 patrocínio da 7k, que lhe rendeu R$ 51 milhões, equivalente a 8% de seu faturamento de R$ 573,6 milhões.

Financeiramente mais sólido, o Palmeiras assinou seu primeiro contrato com uma casa de apostas, a Sportingbet, em janeiro de 2025, por R$ 120 milhões anuais, o que correspondeu a 6,93% dos R$ 1,73 bilhão em receitas totais.

Fontes e executivos do setor revelaram ao Estadão que as casas de apostas pretendem recorrer judicialmente contra a medida, alegando que ela é inconstitucional.

Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada recentemente mostrou que 75% dos brasileiros apoiam a proibição das apostas, enquanto apenas 17% são contrários.

As casas de apostas foram regulamentadas no início de 2024 e existem atualmente 85 empresas autorizadas no mercado brasileiro, cada uma pagando R$ 30 milhões por um direito de operação de cinco anos.

Crescimento da receita e aumento da dívida

Em 2025, os 20 clubes da Série A acumularam R$ 14,9 bilhões em receitas, alta de 33% em relação a 2024, segundo estudo da EY. Entre 2021 e 2025, o crescimento chegou a 73%.

No entanto, o endividamento também aumentou, subindo 46% para R$ 14,3 bilhões no mesmo período. A evolução não foi linear; entre 2022 e 2023 houve uma queda de 3% na dívida, mas elevações ocorreram nos anos seguintes, inclusive superiores ao crescimento registrado entre 2021 e 2022 (12%).

Os clubes têm se manifestado contra a proibição desde que foi anunciada a intenção do governo de banir cassinos online, destacando o impacto financeiro negativo para o esporte. Há preocupações sobre desequilíbrios nas finanças do futebol e possível migração das apostas para o mercado ilegal.

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