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Queda na destruição das florestas tropicais em 2025, mas o problema persiste
Após um ano com níveis alarmantes, a perda das florestas tropicais intactas diminuiu em 2025, impulsionada principalmente por avanços no Brasil, embora a situação continue sendo motivo de grande preocupação, conforme anunciado por um observatório nesta quarta-feira (29).
Em 2025, foram perdidos 4,3 milhões de hectares de mata virgem nas áreas tropicais, uma extensão equivalente ao território da Dinamarca, informou o Global Forest Watch, um observatório mantido pelo World Resources Institute (WRI) dos Estados Unidos e pela Universidade de Maryland.
Essa quantidade representa uma redução de 36% em relação a 2024, ano em que a destruição atingiu níveis recordes, com 6,7 milhões de hectares perdidos. As florestas tropicais são cruciais para a biodiversidade, o abastecimento de água e a captura de carbono.
A melhoria é considerada animadora por Elizabeth Goldman, coordenadora do Global Forest Watch, indicando que certas medidas governamentais tiveram efeito, embora o progresso possa não ser permanente.
Matt Hansen, professor da Universidade de Maryland, comentou durante uma teleconferência: “Precisamos garantir que esses avanços durem para proteger as florestas tropicais.”
Apesar do progresso, ainda desaparecem em média uma área equivalente a 11 campos de futebol de florestas nativas por minuto no mundo, e as perdas continuam 46% superiores às registradas dez anos atrás.
A meta global de zerar o desmatamento até 2030 enfrenta grandes desafios, pois os níveis atuais permanecem 70% acima do esperado, segundo o Global Forest Watch.
Avanços no Brasil
O Brasil, que possui a maior floresta tropical do planeta, é responsável por grande parte da redução em 2025. A adoção de políticas voluntárias, como planos antidesmatamento e a resistência contra infrações ambientais, conduziram a uma diminuição de 41% do desmatamento da floresta nativa não relacionado a incêndios em relação a 2024, atingindo o menor índice já registrado.
Além do Brasil, países como Colômbia (-17%) conseguiram reduzir o desmatamento, enquanto Malásia e Indonésia mantiveram níveis baixos comparados ao passado.
Entretanto, esses avanços são frágeis e podem ser revertidos devido a pressões, como a expansão da agricultura e pecuária no Brasil e mineração de níquel na Indonésia, que causaram enorme devastação.
Outras regiões, incluindo Bolívia, República Democrática do Congo, Camarões e Madagascar, continuam enfrentando altos índices de perda de florestas primárias.
Incêndios: uma ameaça crescente
Até 2025, a cobertura global de árvores atingiu 14%. A agricultura permanece como principal causa da destruição das florestas, mas os incêndios também tiveram impacto significativo, respondendo por 42% das perdas globais, especialmente na zona boreal.
Elizabeth Goldman destaca que nos últimos três anos os incêndios destruíram mais que o dobro da cobertura florestal de duas décadas atrás. Embora algumas queimadas tenham causas naturais, a maioria é provocada pela ação humana.
Países como Canadá sofreram grandes perdas por incêndios, com 5,3 milhões de hectares destruídos. Na França, os danos causados por fogo em 2025 foram sete vezes maiores que em 2024. Espanha e Portugal viram 60% da perda de árvores atribuída a incêndios.
O risco de incêndios deve aumentar nos próximos anos devido às mudanças climáticas, que criam condições mais quentes e secas.
Para o Global Forest Watch, o ano de 2026 será crucial, pois o retorno do fenômeno El Niño pode elevar as temperaturas globais e agravar os incêndios. Além disso, eleições futuras e tensões geopolíticas podem influenciar a preservação das florestas.

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