Brasil
Ranking das melhores cidades para viver no Brasil
Um pequeno município do interior paulista conquistou pelo terceiro ano consecutivo o título de melhor qualidade de vida entre as 5.570 cidades brasileiras, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil. Gavião Peixoto, localizado na região de Araraquara e com 4.7 mil habitantes, alcançou nota 73,10 numa escala de 0 a 100.
Esse índice avalia 57 indicadores sociais e destaca as desigualdades presentes no país. Das 20 cidades com maior qualidade de vida, 13 ficam na região Sudeste, com 12 no estado de São Paulo e 1 em Minas Gerais. Em segundo lugar está Jundiaí (71,80), seguida de Oswaldo Cruz e Pompéia, ambas com 71,76. Curitiba e Brasília são as únicas capitais que aparecem entre as 20 melhores.
Já entre as 20 piores cidades, 17 estão na região Norte, sendo 10 no Pará. As outras três localizam-se no Mato Grosso do Sul, Maranhão e Minas Gerais. Uiramutã, em Roraima, com nota 42,44, mantém o último lugar pelo segundo ano seguido. Jacareacanga (PA), Alto Alegre (RR) e Portel (PA) também mostraram baixo desempenho.
Nas capitais, Curitiba lidera novamente com 71,29 pontos, seguida por Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte. Macapá e Porto Velho ocupam as últimas posições, com a capital de Rondônia registrando a menor nota (58,59).
A disparidade entre as capitais mais e menos bem avaliadas ultrapassa 12 pontos, mostrando as diferenças na qualidade de vida. Segundo Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, apesar do desempenho positivo das capitais, todas enfrentam desafios na inclusão social, como violência contra minorias, famílias em situação de rua, além da baixa representatividade de mulheres e pessoas negras nas câmaras municipais.
O estudo mostra ainda que o Distrito Federal, São Paulo e Santa Catarina lideram no desempenho estadual, enquanto Pará, Maranhão e Acre ocupam as últimas posições.
Regionalmente, o Distrito Federal destaca-se no Centro-Oeste, São Paulo no Sudeste e Santa Catarina no Sul. Paraíba e Tocantins lideram no Nordeste e Norte, respectivamente.
O IPS é fruto de uma parceria entre Imazon, Fundação Avina, Amazônia 2030, Centro de Empreendedorismo da Amazônia e Social Progress Imperative. Baseado em dados públicos e atualizado anualmente, o índice auxilia no acompanhamento de tendências e na formulação de políticas públicas.
O que o IPS mede
O IPS Brasil 2026 revela uma média geral de 63,40 pontos, mostrando uma pequena melhoria em relação ao ano anterior. A dimensão “Necessidades Humanas Básicas” apresentou o melhor resultado (74,58), seguida por “Fundamentos do Bem-estar” (68,81). O indicador “Oportunidades” ficou com o menor valor (46,82).
Entre os 12 componentes avaliados, “Moradia” teve a maior pontuação média (87,95), e “Acesso à Informação e Comunicação” apresentou maior crescimento. Já os piores estão em “Oportunidades”, com destaque para “Direitos Individuais” (39,14), “Acesso à Educação Superior” (45,97) e “Inclusão Social” (47,22).
O componente de inclusão social tem apresentado queda contínua desde 2024, sinalizando desafios como a baixa presença de mulheres e negros nos cargos públicos locais e elevados índices de violência contra minorias. Algumas partes do Nordeste, contudo, apresentam avanços nesse tema.
Estados da Amazônia Legal possuem desempenho inferior na área ambiental, devido ao desmatamento e emissão de gases do efeito estufa. Nas regiões Sul e Sudeste, fragilidades na saúde e bem-estar são evidentes, relacionadas a obesidade, suicídios e doenças crônicas.
Riqueza não é tudo
O IPS mostra que a riqueza econômica por si só não explica a qualidade de vida. Por exemplo, Duque de Caxias (RJ) tem 57,87 pontos, enquanto São Bernardo do Campo (SP) apresenta 69,92, embora os dois tenham perfis semelhantes.
A variação do progresso social entre municípios com PIB per capita abaixo de R$ 100 mil é grande, indicando que investimentos em saúde, educação, segurança e inclusão são decisivos para elevar a qualidade de vida.
Melissa reforça que o progresso social resulta da forma como a riqueza é aplicada em políticas e serviços públicos à população.
O tamanho da cidade também não determina qualidade de vida: Assis Brasil (AC) marcou 52,25 pontos, enquanto Apiacá (ES) alcançou 63,60, apesar do porte similar.
O melhor município
Gavião Peixoto tem cerca de 4.800 habitantes e surgiu de um assentamento rural que recebeu imigrantes fugidos da Revolução Russa de 1917. A cidade recebeu impulso com a instalação da Embraer em 2001, uma das maiores fabricantes de aviões do mundo.
Localizada entre São Carlos e Araraquara, polos de educação e tecnologia no interior de São Paulo, a cidade valoriza políticas públicas focadas no bem-estar da população, conforme destaca o prefeito Adriano Marçal (PSD).

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