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iFood acusa Keeta de espionagem interna

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iFood ajuizou uma ação civil por danos morais e materiais contra a Keeta, plataforma de delivery controlada pela gigante chinesa Meituan, alegando espionagem corporativa. De acordo com a empresa brasileira, sete funcionários ligados à Keeta participaram, por meio da plataforma Zoom, de encontros virtuais com um ex-funcionário do iFood para obter informações estratégicas e confidenciais sobre suas operações.

Os registros de IP das chamadas apontam acessos realizados em São Paulo, Barueri, Hong Kong e Pequim.

A investigação começou no ano passado, quando a Polícia Civil efetuou uma operação contra um ex-colaborador do iFood suspeito de furto mediante abuso de confiança e invasão de dispositivo eletrônico.

Na ocasião, o processo indicava que consultorias estrangeiras estavam contatando funcionários do iFood pelo LinkedIn, oferecendo pagamentos em troca de informações sobre a empresa. Nessas reuniões, eram feitas perguntas delicadas sobre lucro e estrutura operacional.

Esse investigado, conforme o inquérito, chegou a compartilhar áudios e capturas de tela dos valores recebidos (mais de R$ 5 mil) em um grupo interno de mensagens chamado “Rádio Peão ifood”, para onde também enviou um conjunto de perguntas feitas por uma mulher que se identificou como funcionária da consultoria chinesa China Insights Consultancy (CIC Global).

É a mesma pessoa que participou das reuniões com a Keeta agora destacadas pelo iFood. Se antes o iFood só conseguia relacionar o vazamento a consultorias estrangeiras, agora aponta indícios de ligação direta com a Keeta.

Após a ação contra esse ex-funcionário, ele admitiu ter respondido questionários sobre dados estratégicos durante os encontros com a CIC, informa a empresa.

Além disso, a busca e apreensão de equipamentos eletrônicos do investigado permitiu comprovar a realização de ao menos uma reunião e coletar dados técnicos sobre o caso.

Com base nessas evidências, o iFood entrou com um pedido nos Estados Unidos para obtenção de provas contra o Zoom, usado nas chamadas remuneradas. Documentos indicam pelo menos cinco reuniões entre o ex-funcionário e pessoas com e-mails terminados em “@meituan.com”.

O iFood afirmou já ter adotado medidas judiciais e extrajudiciais contra práticas de concorrência desleal, ressaltando que seguirá trabalhando para identificar todas as empresas envolvidas e garantir um ambiente ético e legal no setor de delivery brasileiro.

A Keeta disse cumprir todos os requisitos locais e negou contratar terceiros para captar informações confidenciais, ressaltando que ainda não foi notificada oficialmente. A empresa destacou uma investigação aberta pela Polícia Civil referente a supostos ataques de espionagem coordenada contra a Keeta e restaurantes em Santos, onde indivíduos se passaram falsamente por funcionários para obter dados financeiros e operacionais.

Essa nova ação é parte da disputa intensa pelo mercado brasileiro de delivery. Em maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) iniciou investigação contra o iFood para apurar descumprimento de acordo antitruste firmado em 2023, após denúncia da concorrente Rappi, que limita contratos de exclusividade do iFood com restaurantes.

No ano anterior, a 99, controladora da 99Food, abriu investigação interna por possível vazamento de dados estratégicos causado por furtos de notebooks e assédio de consultorias a funcionários. Dados comprometidos incluíam planos de expansão, contratos e estratégias comerciais.

A empresa confirmou que funcionários receberam repetidas mensagens com ofertas que variavam de US$ 200 a US$ 1 mil por reuniões para colher informações internas.

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