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Sauditas lideram ataques a instalações de petróleo no Iêmen após ações dos houthis
Uma coalizão comandada pela Arábia Saudita realizou ataques a instalações petrolíferas no Iêmen, incluindo a capital Saná, nesta terça-feira (13), em resposta aos ataques mais severos dos houthis em anos dentro do território saudita.
Logo após a confirmação dos bombardeios no Iêmen, explosões foram ouvidas em Riade, a capital saudita, e em uma instalação da gigante petrolífera estatal Aramco, localizada no leste do país, conforme relatos de testemunhas e jornalistas para a AFP.
O conflito civil no Iêmen, que envolve os houthis apoiados pelo Irã e o governo iemenita respaldado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, se intensificou desde julho, prejudicando o Oriente Médio e os mercados energéticos.
Os ataques dos houthis, um grupo pró-iraniano que controla grande parte do Iêmen e que está em conflito com a Arábia Saudita há mais de uma década, aumentaram no fim de semana, incluindo um ataque ao aeroporto da capital saudita Riade, que resultou em 13 mortos.
Durante a tarde, os houthis relataram que a Arábia Saudita atacou uma instalação petrolífera em Saná, após a coalizão liderada pelos sauditas emitir seu primeiro aviso de evacuação aos civis da capital iemenita desde a retomada dos combates.
Horas depois, o porta-voz da coalizão saudita, general Turki al Maliki, confirmou no X que foram realizados ataques contra instalações petrolíferas na capital do Iêmen e em alvos nas províncias de Saada e Dhamar, no oeste do país.
Um correspondente da AFP em Saná ouviu uma explosão, enquanto o canal de televisão Al Masira, alinhado aos houthis, informou que a agressão saudita teve como alvo a empresa petrolífera em Al Sabaha, a oeste de Saná.
Temendo um possível desabastecimento, muitos civis fizeram longas filas nos postos de gasolina em Saná após o alerta da coalizão.
Consequências graves
A Arábia Saudita, principal exportadora de petróleo mundial, continuava sob ataque nesta terça-feira. Além das explosões reportadas, a coalizão declarou que interceptou três drones ao norte de Riade e destruiu dois mísseis: um sobre Dhahran, onde está a sede da Aramco, e outro que ameaçava a cidade de Harad. Também foram interceptados três mísseis sobre Riade e o sul do reino.
Desde 2015, a Arábia Saudita apoia militarmente o governo iemenita nesta guerra civil contra os houthis, conflito que gerou uma crise humanitária grave no país mais pobre da região.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha alertou que um aumento nas hostilidades traria consequências desastrosas para dezenas de milhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde divulgou que os casos suspeitos de cólera triplicaram no Iêmen em três semanas.
Enquanto isso, os combates seguem no Iêmen entre houthis e forças governamentais e, apesar dos bombardeios sauditas, os houthis, apoiados pelo Irã, intensificam o cerco à terceira maior cidade do país, Taiz.
Impacto econômico e acusações
Os combatentes pró-iranianos também atacam petroleiros no Mar Vermelho, que é uma rota alternativa para as exportações sauditas, devido ao bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz desde o início do conflito no Oriente Médio.
Essa tática impacta os preços globais do petróleo. O presidente americano, Donald Trump, acusou nesta terça os houthis de tentarem elevar os preços do petróleo antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro.
“Os houthis estão se comportando muito mal”, publicou Trump na sua plataforma Truth Social, sem, contudo, esclarecer se isso indicaria um maior apoio militar à Arábia Saudita.
A Arábia Saudita enfrenta esta nova onda de ataques em um momento em que já sofre os efeitos do conflito regional.
De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o país deve fechar o ano com uma queda de 3,3% no seu PIB, cinco pontos percentuais abaixo da previsão realizada em julho. Esta projeção não considera os impactos dos recentes ataques nem o controle dos houthis sobre o Estreito de Bab al-Mandeb e a costa iemenita no Mar Vermelho, que podem piorar ainda mais a situação econômica do reino.

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