Economia
Shein, gigante da moda online, quer levantar US$ 1,7 bi na bolsa
O grupo varejista online de moda rápida Shein fará sua estreia na Bolsa de Hong Kong no dia 1º de setembro, com a expectativa de levantar 1,7 bilhão de dólares (8,7 bilhões de reais), conforme informado pela empresa na última segunda-feira (24).
De acordo com um comunicado da Bolsa de Hong Kong, a Shein planeja oferecer 280 milhões de ações para captar até 13,86 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 1,7 bilhão). Com esse valor, a companhia alcançaria uma avaliação de mercado de 26,8 bilhões de dólares (137 bilhões de reais).
A empresa usará o montante captado em sua estreia na Bolsa para investir em tecnologia e expandir sua atuação internacional.
Os planos para entrar nas Bolsas de Nova York e Londres enfrentaram obstáculos regulatórios nos últimos anos.
A Shein possui a maioria das suas fábricas na China, que conta com uma grande indústria têxtil de baixo custo e uma cadeia produtiva muito eficiente, capaz de desenvolver produtos com rapidez e responder rapidamente às tendências em constante mudança, oferecendo coleções com grande rotatividade e preços bastante acessíveis.
Além disso, o grupo se destaca por alcançar um público jovem através das redes sociais e manter suas vendas por meio de uma cadeia de comércio eletrônico avançada, atuando em mais de 150 países.
Dificuldades na Europa e EUA
A plataforma é frequentemente criticada pelo impacto ambiental causado e por estimular uma cultura de consumo excessivo que gera resíduos e poluição, considerando que o setor têxtil responde por quase 10% das emissões globais de gases de efeito estufa.
A Shein também foi acusada de violações de direitos humanos, embora o CEO da empresa tenha afirmado no ano passado à AFP que o grupo adota uma política de “tolerância zero” contra práticas abusivas.
Em 2025, a Shein registrou um lucro líquido de 41,8 bilhões de dólares (R$ 214 bilhões), realizou mais de um bilhão de pedidos em todo o mundo e obteve um ganho de 2,1 bilhões de dólares (R$ 10,7 bilhões).
No entanto, a plataforma teve perdas líquidas de 99 milhões de dólares (508 milhões de reais) no primeiro trimestre, atribuídas a fatores contábeis pela empresa.
A Shein destaca que sua oferta pública inicial não garante aos futuros acionistas um crescimento tão acelerado quanto o registrado nos anos anteriores.
Em 2025, o governo dos Estados Unidos eliminou a isenção tarifária que beneficiava pacotes de baixo valor, como os da Shein, que ingressavam no país.
Segundo a empresa, essa mudança implicou em tributação significativamente maior, além das tarifas extras impostas anteriormente pelo governo Donald Trump sobre produtos chineses.
A Shein também enfrenta ações das autoridades europeias. Na França, a empresa já foi multada várias vezes, e o Parlamento aprovou, no final de junho, uma lei para conter o avanço das plataformas de moda rápida.
Diante da legislação nos Estados Unidos e na Europa, o grupo informou que está avaliando diversas alternativas, incluindo o aumento dos preços para compensar parte dos custos adicionais.


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