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Trump garante visto para Flávio Bolsonaro entrar nos EUA

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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que concederá vistos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família, permitindo sua entrada no país. A administração de Donald Trump não confirmou, no entanto, se o senador já se encontra nos Estados Unidos.

Fontes próximas ao candidato derrotado à Presidência indicaram que o senador teria embarcado para os EUA. A Polícia Federal (PF) cancelou os passaportes de Flávio após ele desobedecer a determinação judicial que exigia a entrega dos documentos até manhã de terça-feira. Aliados do parlamentar receberam informações de que ele teria deixado o Brasil depois da ordem de apreensão emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Cinco fontes próximas ao candidato derrotado relataram que o senador teria embarcado para os EUA.

Segundo investigadores, não há registro formal da saída de Flávio do Brasil, o que indica que ele pode não ter passado por nenhum controle de imigração. A defesa do senador ainda não se manifestou sobre a sua possível saída do país.

A ideia de deixar o Brasil após a derrota eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi discutida por Flávio com aliados no domingo. Inicialmente, ele decidiu que apenas sua mulher e filhas viajariam para o exterior por questões de segurança. Entretanto, após a determinação de Moraes para recolhimento dos passaportes mediante risco de fuga, Flávio teria mudado de ideia e decidido acompanhar sua família.

Investigações em curso

Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no STF. Em um deles, sob a relatoria de Moraes, a PF investiga suspeitas de envolvimento do senador em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao advogado Willer Tomaz, que está fora do país desde agosto. Ele também está sendo investigado quanto ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de seu pai, que contou com recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.

Na segunda-feira, Flávio foi intimado pela PF a entregar seus passaportes em até 24 horas, conforme ordem de Moraes, o que não foi cumprido. Em vídeo postado em suas redes, o parlamentar relatou ter sido abordado na rua, ao sair do condomínio onde mora, a caminho da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.

“Hoje pela manhã fui visitar meu pai, que está em prisão domiciliar, e, ao sair, a Polícia Federal estava na porta da casa dele. No meio da rua, fui intimado a entregar meus passaportes e estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro dizendo que eu deveria deixar o país se perdesse a eleição”, afirmou Flávio.

Ele negou ter intenção de deixar o país:

“Nunca pensei em sair do país. Vou entregar meus passaportes e me defender dessa tentativa clara de intimidação. Ninguém vai me silenciar.”

Comentário de Eduardo Bolsonaro

Na sexta-feira anterior, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou em um programa nos EUA que, caso Flávio perdesse a eleição, deveria deixar o país.

“Se meu irmão não ganhar, apoio que ele saia do país. Com certeza,” afirmou Eduardo, que também disse que o irmão deveria contestar o resultado das urnas se fosse derrotado.

Informações sobre saída do Brasil

A primeira notícia sobre a suposta saída de Flávio do Brasil foi publicada pelo site argentino Infobae, que relatou que o filho do ex-presidente teria entrado na Argentina via Puerto Iguazú para embarcar em voo particular a Miami. Porém, o voo foi cancelado.

Autoridades argentinas afirmaram não ter registro de entrada de Flávio no país. Procedimentos foram iniciados para fiscalizar a aeronave e tripulação, constatando que a documentação estava regular e que não havia plano de voo incluindo a família Bolsonaro.

De acordo com o jornal Clarín, o voo foi cancelado porque um passageiro teve um problema, e a lista de passageiros não foi entregue à imigração.

O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-SP), afirmou que Flávio estava no Brasil e encaminhou nota da agência Bloomberg citando o secretário de Comunicação da Argentina, Fabián Fernández: o senador não entrou no país.

Aliados e advogados declararam não conseguir contato com o senador nesta terça-feira. Uma reunião para entregar os passaportes, conforme ordem judicial, não ocorreu pela dificuldade em localizá-lo.

Detalhes e desempenho político

Na manhã de segunda-feira, na residência de Flávio em Brasília, música gospel foi ouvida em alto volume, a canção “Bondade de Deus”. No dia anterior, ele participou de reunião com aliados, incluindo Marinho e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Um comboio deixou o local à noite, mas não se sabe se o senador e família estavam nos veículos.

Flávio Bolsonaro tem mandato de senador até fevereiro de 2027. Mesmo que perca o cargo, as investigações continuarão no STF, pois o tribunal decidiu que casos relacionados a crimes cometidos durante o mandato e ligados às funções devem permanecer no Supremo, mesmo após término do mandato.

Assim, as investigações sobre Flávio dependerão de comprovação da relação dos fatos investigados com o mandato parlamentar.

Contexto eleitoral

Eduardo Bolsonaro reafirmou sua posição sobre a saída do irmão após a derrota eleitoral, enfatizando seu apoio para que Flávio deixasse o país caso não ganhasse. No domingo, Flávio perdeu as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito ao cargo.

“Se meu irmão não vencer, sou a favor que ele saia do país. Com certeza. É o que penso.”

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