Brasil
Violência contra indígenas cresce em 2025
Dados apresentados na quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) indicam que 258 indígenas foram mortos em 2025, superando os 211 casos de 2024.
Os estados de Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37) lideraram os números conforme o Sistema de Informação sobre Mortalidade e as secretarias estaduais de saúde junto à Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai).
Violência física
No começo de 2025, quatro indígenas do povo Avá-Guarani foram feridos a tiros durante um atentado na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá, em área em disputa no oeste do Paraná. Um deles sofreu lesão na coluna que resultou na perda dos movimentos das pernas.
Em março, o Pataxó Vitor Braz foi assassinado na Barra Velha do Monte Pascoal, extremo sul da Bahia, no contexto da luta por demarcação territorial.
Em novembro, o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes foi morto na Terra Indígena Iguatemipegua I, Mato Grosso do Sul, também em disputa por solo.
Esses episódios aconteceram em terras oficialmente reconhecidas pelo Estado, mas cujos processos de demarcação se arrastam há mais de 10 anos. As violências sofridas refletem a contínua insegurança enfrentada pelos povos indígenas, apesar de operações federais para desintrusão determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório observa que os casos de violência são inseparáveis dos conflitos relacionados a direitos territoriais ao longo de 2025, especialmente pela paralisação judicial sobre a Lei 14.701/2023, o Marco Temporal, cujo julgamento no STF foi adiado até dezembro.
Além disso, a lei contém dispositivos que facilitam a exploração de terras indígenas por terceiros e dificultam as demarcações legais.
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A pressão econômica para regulamentar a mineração, implantar grandes obras de infraestrutura e explorar gás e petróleo em áreas indígenas contribui para o agravamento do quadro.
Atos contra o patrimônio
Em 2025, foram registrados 1.276 casos de agressões ao patrimônio indígena: 897 por falta ou lentidão na regularização fundiária, 169 decorrentes de conflitos territoriais e 210 relacionados a invasões, exploração ilegal e danos diversos.
Do total de 1.443 terras indígenas e reivindicações existentes no país, 897 ainda aguardam alguma medida para regularização, com 582 delas sem nenhuma ação iniciada para demarcação.
Houve avanços administrativos importantes, como a publicação de relatórios de identificação, emissão de portarias declaratórias, homologações e registros de terras como patrimônio da União, além da formação de grupos técnicos e criação de reservas indígenas pela Funai.
Contudo, o ritmo ainda é insuficiente diante da demanda territorial e dos conflitos urgentes. O governo justifica a paralisação atribuindo-a ao impasse jurídico sobre os processos demarcatórios.
Desassistência do Poder Público
O relatório aponta 215 suicídios indígenas em 2025, superando os 208 do ano anterior. Amazonas (77), Mato Grosso do Sul (42) e Roraima (37) apresentaram os maiores índices. A maior incidência ocorreu entre jovens de 20 a 29 anos (41%) e menores de 19 anos (34%).
Também foram contabilizadas 1.024 mortes infantis até 4 anos — um aumento em relação aos 922 óbitos de 2024 — principalmente nos estados do Amazonas (306), Roraima (158) e Mato Grosso (123). A maioria (57%) foi causada por enfermidades evitáveis, incluindo gripe, pneumonia, doenças intestinais e desnutrição.
Registros adicionais indicaram 58 casos de falta geral de assistência, 111 na área educacional e 121 na saúde, incluindo 62 óbitos por falta de atendimento médico e 14 casos relacionados ao consumo de álcool e outras drogas entre indígenas, totalizando 366 ocorrências.
A escassez de infraestrutura, profissionais e medicamentos, além do acesso precário à água potável e ao saneamento básico, impactam severamente a saúde das populações indígenas. Muitas vezes, a poluição de rios por agrotóxicos e mercúrio oriundo de garimpos agrava o cenário.
No Rio Grande do Sul, o grupo mais afetado pela desassistência são os indígenas em luta por suas terras, que vivem em condições precárias à margem de estradas.
Povos indígenas isolados
Um capítulo final discute a situação dos povos indígenas em isolamento voluntário, cuja maioria carece de reconhecimento oficial e políticas públicas, estando vulneráveis ao risco de genocídio.
A Equipe de Apoio aos Povos Livres do Cimi registrou 119 grupos isolados no Brasil, dos quais apenas 28 possuem confirmação pela Funai. Houve registros de invasões e danos em 20 terras indígenas onde vivem cerca de 45 desses grupos isolados.

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