Economia
Powell conduz última reunião do Fed com foco na inflação
As consequências econômicas do conflito no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito à inflação, estarão no centro das discussões durante a próxima reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, que possivelmente será a última presidida por Jerome Powell.
Nos dias 27 e 28 de abril, o Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) realizará uma reunião que deve concluir sem alterações nas taxas de juros, atualmente entre 3,50% e 3,75%, mantendo a pausa iniciada no início do ano.
Nancy Vanden Houten, economista da Oxford Economics, ressaltou que, uma vez que nenhuma mudança nas taxas é esperada, o foco estará nos possíveis movimentos futuros da política monetária do banco central.
Outros analistas também não preveem mudanças nos juros nesta reunião, conforme indicado pela ferramenta FedWatch do grupo CME.
De modo geral, a maioria dos especialistas acredita que não haverá alterações nas taxas até o final do ano, no mínimo.
Gregory Daco, economista-chefe da EY, destacou que o comunicado pode indicar a necessidade de elevar as taxas caso a inflação permaneça acima da meta por um período prolongado.
O contexto atual tem explicação clara: após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passava cerca de 20% das exportações globais de hidrocarbonetos antes da crise.
Consequentemente, o preço do petróleo disparou, subindo de aproximadamente 65 dólares por barril antes do conflito para quase 95 dólares na última sexta-feira, com um pico superior a 110 dólares no início de abril.
Esse aumento já é sentido nos postos de gasolina, onde o preço do combustível subiu mais de 15% em março, e a inflação pode voltar a ultrapassar 3% ao ano, acima da meta de longo prazo de 2% estabelecida pelo Fed.
Última reunião de Powell?
O Fed tem um duplo objetivo: manter os preços estáveis e o desemprego baixo. Para isso, costuma aumentar as taxas para conter a inflação ou diminuí-las para incentivar o crescimento econômico.
Neste encontro, com o conflito completando sua nona semana, é esperado que o Fed dê maior atenção ao controle da inflação do que ao mercado de trabalho.
Nancy Vanden Houten destacou que a guerra aumentou a incerteza, e os membros do comitê provavelmente perceberão um crescimento dos riscos inflacionários e uma redução dos riscos relacionados ao emprego.
Kenneth Kim, economista da KPMG, observa que a força recente nas contratações oferece alguma margem para que o Fed priorize temporariamente a estabilidade dos preços.
Os analistas deverão focar especialmente na coletiva de imprensa de Jerome Powell, marcada para quarta-feira (29), para avaliar os próximos passos.
Além disso, esta reunião deve ser a última de Powell como presidente do Fed, cujo mandato termina em meados de maio, antes do próximo encontro do comitê em junho.
O presidente Donald Trump já indicou Kevin Warsh como seu sucessor, que prometeu manter a independência do Fed diante das pressões políticas, enfrentando um processo de confirmação que tem sido difícil.
Um grande obstáculo para a nomeação de Warsh foi superado no domingo, quando o senador republicano Thom Tillis declarou apoio ao candidato.
Esse apoio veio após o Departamento de Justiça informar na sexta-feira o encerramento da investigação sobre Jerome Powell por suspeitas relacionadas aos custos elevados das reformas da sede do Fed, condição imposta por Tillis para apoiar Warsh.

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