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Cerca de 60 países se reúnem na Colômbia para deixar de usar energia fóssil
Diante do sereno Mar do Caribe, onde navios carregam carvão, cerca de 60 governos se encontraram nesta terça e quarta-feira em Santa Marta, Colômbia, para discutir o abandono dos combustíveis fósseis, mesmo com a alta dependência global dessas fontes poluentes.
Essa conferência, promovida pela Colômbia e pelos Países Baixos, ocorre em meio ao conflito no Oriente Médio, que afetou a segurança do fornecimento de energia mundial e elevou os preços do petróleo.
Ao chegarem na segunda-feira para essa reunião importante, ativistas ambientais e comunidades indígenas manifestavam nas ruas e praias da cidade turística, que também é um grande porto exportador de carvão.
Participam desde países que produzem combustíveis fósseis, como Brasil, Canadá e Noruega, até pequenos estados insulares vulneráveis ao aquecimento global, como Tuvalu.
O encontro não conta com a presença dos maiores poluidores, como China, Estados Unidos e Rússia, mas para os participantes, isso facilita as discussões, evitando que tais países impeçam avanços, como já ocorreu em conferências climáticas da ONU.
Na COP28 realizada em Dubai em 2023, houve o compromisso internacional de iniciar a transição para abandonar o petróleo, o gás e o carvão, grandes causadores da poluição do planeta.
Porém, desde então, não se avançou muito. As emissões de gases do efeito estufa provenientes dessas fontes continuaram a aumentar até bater recordes em 2025.
Além disso, os países ainda destinam cinco vezes mais recursos para apoiar essas fontes, através de subsídios, do que para energias renováveis, conforme estudo do Instituto Internacional de Desenvolvimento Sustentável.
Em Santa Marta, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-enviada da ONU para o Clima, declarou à AFP que há “possibilidades reais” para romper essa dependência. “Nunca antes tivemos tempo e espaço para isso”, ressaltou.
O papel da ciência
No domingo, cientistas aprovaram um conjunto de 12 recomendações práticas para orientar os países, como impedir novos projetos que explorem combustíveis fósseis.
Carlos Nobre, meteorologista brasileiro renomado, presente em Santa Marta para lançar um painel científico de apoio aos países, comentou que “não há justificativa para realizar qualquer nova exploração desses combustíveis”.
Mesmo sem novas explorações, a quantidade atual de petróleo, carvão e gás natural existentes pode elevar a temperatura global até 2,5 graus Celsius até 2050.
Hoje, o planeta está cerca de 1,4 °C acima da era pré-industrial, e as nações acordaram em 2015 limitar o aumento a 2 °C ou idealmente a 1,5 °C, para evitar consequências catastróficas para o futuro.
No entanto, substituir veículos a gasolina, caldeiras a diesel e fábricas a gás por alternativas renováveis representa um enorme desafio financeiro.
Até países muito comprometidos, como a Colômbia do presidente Gustavo Petro, reconhecem que o caminho para a transição ainda levará décadas.
Outros, como o Brasil, parecem até intensificar sua dependência do extrativismo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou recentemente que a Petrobras negocia com a mexicana Pemex para explorar petróleo em águas profundas do Golfo do México.
Esse projeto foi fortemente criticado pelo Greenpeace, que indicou que a América Latina mantém um padrão preocupante ao continuar priorizando a extração de recursos naturais como base do desenvolvimento, postergando a diversificação econômica e energética.

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