Brasil
ibovespa cai quase 1% com aumento do risco no oriente médio
Após algumas melhoras recentes antes do feriado de 1º de maio, o Ibovespa voltou a apresentar queda no início desta semana devido à crescente aversão a riscos, especialmente relacionada à situação no Oriente Médio.
Sem o suporte da Petrobras, o índice da B3 recuou 0,92% nesta segunda-feira, fechando aos 185.600,12 pontos, com volume financeiro de R$ 26,4 bilhões. Durante o pregão, o índice oscilou entre 187.666,20 pontos no máximo e 185.537,58 pontos no mínimo. Apesar da queda, o Ibovespa ainda acumula alta de 15,19% no ano.
Recentemente, ataques com drones originados do Irã causaram um incêndio de grande proporção na Zona de Indústrias Petrolíferas de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Durante a tarde brasileira, o órgão responsável pela Gestão Nacional de Emergências dos Emirados informou que suas defesas aéreas estavam respondendo a múltiplas ameaças de mísseis.
O almirante-chefe do Comando Central dos Estados Unidos, Brad Cooper, declarou que helicópteros militares americanos afundaram seis pequenas embarcações iranianas que estavam ameaçando navios civis no Estreito de Ormuz, intensificando as tensões na região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã realizou ataques contra embarcações de países que não estão relacionados à operação naval americana na área, incluindo um cargueiro sul-coreano que explodiu próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos. O Irã também declarou ter atingido um navio de guerra dos EUA como forma de aviso para que não entrassem na região.
Além disso, o centro militar de operações britânico reportou um incêndio em uma embarcação de carga próxima a Dubai, sem causa ainda determinada.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, destacou que a abundância de informações contraditórias aumenta a aversão ao risco, especialmente em uma semana que inclui resultados importantes de bancos como Itaú e Bradesco. O petróleo, por sua vez, influencia pressões inflacionárias e a elevação dos juros, enquanto o conflito no Oriente Médio continua sem solução próxima.
Na B3, entre as principais ações, apenas as ações preferenciais da Petrobras conseguiram evitar perdas, ainda que tenham tido desempenho inferior ao do petróleo Brent, que registrou alta superior a 5%. Entre as maiores quedas estiveram as ações da Vale, que recuaram 3,10%, e de bancos como Bradesco, com perdas de até 2,12%. As maiores valorizações foram observadas em Prio, Minerva e Braskem, enquanto Hapvida, Cyrela e MRV foram as que mais caíram.
O mercado de petróleo também reagiu ao conflito: o WTI para junho subiu 4,29%, fechando a US$ 106,42 por barril, enquanto o Brent registrou alta de 5,8%, encerrando a US$ 114,44 por barril. O Irã ameaçou interceptar qualquer embarcação que viole suas normas marítimas e alertou os Estados Unidos para não entrarem na região, após Washington anunciar uma atuação mais direta na escolta de navios retidos.
Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, comentou que apesar do prêmio de risco elevado no petróleo, uma futura descompressão deverá levar os preços rapidamente para a faixa de US$ 80 por barril, e não para os valores anteriores ao conflito próximos a US$ 60. O Brasil demonstra uma certa resiliência diante das tensões, pois é exportador líquido de petróleo.
O comportamento dos ativos financeiros permanece fortemente influenciado pelos acontecimentos no Estreito de Ormuz, impactando não apenas ações e petróleo, mas também câmbio e curva de juros, em um cenário de busca por proteção dos investidores em um período de tensões que já dura mais de dois meses, conforme análise de Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

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