Centro-Oeste
JK foi assassinado pela ditadura, conclui comissão
Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) afirma que **Juscelino Kubitschek** foi assassinado pela ditadura em 1976, e não sofreu um acidente de carro, como foi dito na época.
O relatório da historiadora **Maria Cecília Adão**, relatora do caso na comissão, está sendo analisado e será votado em breve. A comissão existe para identificar pessoas mortas ou desaparecidas por motivos políticos entre 1961 e 1988, localizar os corpos e atender pedidos das famílias.
JK morreu em um acidente na estrada em 22 de agosto de 1976. Seu carro, dirigido por seu amigo **Geraldo Ribeiro**, perdeu o controle e colidiu. Ribeiro também morreu. Investigações anteriores disseram que o carro bateu em um ônibus, mas outras apurações afirmam que JK foi vítima de um atentado político e que o acidente foi causado por sabotagem ou outra ação externa.
O novo relatório apoia a ideia de atentado, baseado em estudos recentes, incluindo uma investigação do Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019. Essa investigação descartou a batida do ônibus, mas não pôde afirmar com certeza se o acidente foi provocado por terceiros.
O procurador Paulo Sérgio Ferreira Filho destacou falhas nas investigações originais feitas pelo Estado e mencionou que um especialista em transportes refutou as conclusões anteriores sobre o acidente, apontando que não houve colisão com um ônibus.
O relatório compila trabalhos anteriores e afirma que o Estado brasileiro foi responsável pela morte de JK devido à perseguição política. O contexto político da época era tenso: JK teve seus direitos políticos suspensos após o golpe militar de 1964 e, em 1976, era um líder da oposição à ditadura. A Operação Condor, ação conjunta de ditaduras sul-americanas, visava eliminar opositores políticos, incluindo JK, que foi mencionado como ameaça.
Se aprovado, o relatório poderá retificar a certidão de óbito de JK e de seu motorista, reconhecendo oficialmente a morte como um ato político. Diferente de outros casos, não haverá indenização financeira para a família, pois o pedido foi feito fora do prazo legal.
A decisão visa esclarecer a verdade histórica sobre a morte de JK. Entre os membros da comissão, espera-se que o relatório seja aprovado pela maioria.

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