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Países da América Latina que diminuíram horas de trabalho

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A iniciativa de diminuir a jornada laboral e abolir o sistema 6×1 pode fazer com que o Brasil se una à Colômbia, Chile e México, integrantes da América Latina que, na última década, reduziram o tempo dedicado ao trabalho.

Com exceção da Argentina, governada por Javier Milei, que recentemente autorizou jornadas de até 12 horas diárias, outras nações importantes da região vêm adotando jornadas menores em benefício dos trabalhadores.

Colômbia

Na Colômbia, a diminuição da jornada de 48 para 42 horas semanais foi sancionada em julho de 2021 pelo presidente Iván Duque, um governo de direita. A proposta partiu do então senador e ex-presidente Álvaro Uribe, uma personalidade proeminente da direita latino-americana.

A lei determina uma redução paulatina da jornada sem reduções salariais, iniciando em 2023 com a jornada reduzida para 47 horas semanais, para alcançar as 42 horas somente em julho de 2026, cinco anos após a aprovação.

O professor de direito e relações internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o colombiano Sebastián Granda Henao, comenta que a direita buscou responder aos protestos sociais massivos de 2019, como uma forma de apaziguar tensões e evitar reformas maiores.

Ele também destaca que a redução contou com o apoio do setor empresarial e, apesar de críticas pontuais, avançou no congresso sem grandes obstáculos por ter sido proposta pela direita. A medida também se alinhou às diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que recomenda jornadas máximas de 40 horas semanais e até 48 horas com horas extras.

O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Dari Krein, lembra que a Colômbia era fora da média ao manter 48 horas semanais, enquanto o Brasil já havia reduzido para 44 horas em 1988, muito antes.

Após intensa mobilização popular em 2021, o país elegeu o primeiro governo de esquerda da história com Gustavo Petro, que em 2025 aprovou uma reforma trabalhista com novos direitos, como o adicional noturno a partir das 19h, pagamento dobrado por trabalho em domingos e feriados e limite de 8 horas diárias.

México

No México, a redução da jornada laboral, de 48 para 40 horas semanais, foi sancionada em março do mesmo ano sob a liderança da presidenta de esquerda Claudia Sheinbaum, sucessora de Andrés Manuel López Obrador. O partido Morena mantém significativa maioria parlamentar, facilitando a implementação de reformas.

A transição para a jornada de 40 horas ocorrerá de forma gradual a partir de janeiro de 2027, com conclusão prevista para 2030, mantendo os salários intactos.

Apesar das críticas do setor empresarial, a popularidade do governo e a fragilidade da direita tradicional dificultam a oposição às mudanças.

Chile

No Chile, a redução progressiva das 45 para 40 horas semanais foi conduzida pelo governo de centro-esquerda de Gabriel Boric. A lei, sancionada em abril de 2023, prevê que a jornada chegará a 40 horas até 2028, sem redução salarial.

O professor José Dari Krein destaca que a medida foi um desdobramento dos protestos sociais de 2019, que abalaram o país e levaram à eleição de Boric em 2021.

Embora o setor empresarial tenha resistido alegando custos econômicos, houve flexibilização na distribuição das horas de trabalho para atender demandas produtivas.

Brasil

Por sua vez, no Brasil, a ideia de diminuir a jornada de 44 para 40 ou 36 horas semanais, eliminando a escala de seis dias trabalhados seguidos por um de descanso (6×1), enfrenta resistência de setores empresariais. Estudos apresentam resultados divergentes acerca do impacto dessa mudança no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação do país.

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