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Operação contra Ciro Nogueira enfraquece delação de Vorcaro
Investigadores relataram que a ação deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) fragiliza a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Conforme o blog da colunista Míriam Leitão, do Globo, o banqueiro ainda não apresentou detalhes significativos para o processo.
A proposta entregue na quarta-feira tanto à PF quanto à Procuradoria-Geral da República (PGR) não aborda, por exemplo, os fatos recentes relacionados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo a coluna de Malu Gaspar.
As autoridades investigam bens e ativos de Vorcaro dentro e fora do Brasil, mirando recuperar ao menos R$ 50 bilhões — valor aproximado do prejuízo causado pelas fraudes associadas ao banco. Esses recursos podem ser usados para ressarcir clientes, instituições financeiras, empresas e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Espera-se que o banqueiro revele ativos ainda não descobertos, principalmente no exterior, como offshores. Acredita-se que, por ter gerenciado o suposto esquema, ele detenha informações cruciais sobre o trajeto do dinheiro.
Ponto essencial
A revelação de patrimônios ainda desconhecidos é considerada essencial para as negociações de colaboração de Vorcaro. Na prática, qualquer redução de pena dependerá da capacidade de indicar maneiras de recuperar esses valores.
A PF solicitou a transferência do dono do Master para o presídio federal em Brasília. Atualmente ele está detido na superintendência da PF no Distrito Federal. O pedido está sob análise do ministro André Mendonça, do STF, que ainda não decidiu.
O pedido foi feito em 24 de abril, antes de a defesa de Vorcaro apresentar a delação. Segundo fontes, essa solicitação indica a insatisfação dos investigadores com a demora para entrega dos documentos de colaboração.
Após avaliação inicial do material, os investigadores consideraram os detalhes fornecidos insuficientes. A PF indicou que não assinará o acordo se Vorcaro não apresentar informações inéditas sobre as irregularidades no Master.
De acordo com fontes próximas ao caso, Vorcaro evita comprometer Ciro Nogueira em sua proposta. Embora mencione o senador, não inclui pagamentos de propinas ou vantagens indevidas. Entre os investigadores, essa parte é apelidada de “capítulo de exaltação” do presidente nacional do PP, importante líder do Centrão.
A operação de ontem, portanto, põe em dúvida a delação antes mesmo da análise completa, pois já há evidências de que Vorcaro ocultou fatos da Polícia Federal e do Ministério Público.
Essa nova fase das investigações baseia-se em descobertas feitas a partir da análise do celular de Vorcaro e da quebra de sigilos bancário e fiscal de Vorcaro. A defesa dele informou que não irá se manifestar.
Até o momento, foram apreendidos ou bloqueados bens como carros luxuosos, aeronaves, joias e obras de arte, além do rastreamento de contas bancárias e fundos ligados ao banqueiro.
Nas discussões da delação, os investigadores defendem que a recomposição do FGC seja considerada, juntamente com multas associadas aos crimes investigados, que ainda estão sendo calculadas. Estimativas indicam que o fundo deverá cobrir cerca de R$ 40,6 bilhões para clientes do Master e R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank, parte do mesmo conglomerado.
A defesa de Vorcaro avalia outras possibilidades. Segundo a coluna de Malu Gaspar, o banqueiro pensa em oferecer ressarcimento bilionário a fundos de previdência estaduais e municipais, porém não tem intenção de destinar recursos ao Banco de Brasília (BRB) ou ao FGC.
A legislação sobre colaboração premiada permite que o juiz conceda perdão judicial ou reduza a pena em até dois terços se a colaboração for efetiva, incluindo a recuperação total ou parcial dos bens obtidos com crimes.
Principais alvos da operação
- Ciro Nogueira: Senador e presidente do PP. Segundo investigações, usou seu mandato para beneficiar interesses privados de Daniel Vorcaro. Medidas: proibido de manter contato com testemunhas e outros investigados.
- Felipe Cançado Vorcaro: Primo de Daniel Vorcaro, identificado como parte do grupo financeiro da organização criminosa. Medidas: preso.
- Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima: Irmão de Ciro Nogueira, acusado de apoiar formal e operacionalmente a estrutura empresarial familiar do senador. Medidas: proibido de manter contato com testemunhas e outros investigados, uso de tornozeleira eletrônica e restrição de saída do município.
- Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho: Responsável pela inserção de dinheiro em espécie no sistema financeiro por meio de depósitos fracionados. Medidas: proibido de manter contato com testemunhas e outros investigados, uso de tornozeleira eletrônica e restrição de saída do município.
- Empresas CNFL Empreendimentos Imobiliários, BRGD S.A., Green Investimentos e Green Energia Fundo de Investimentos: Utilizadas para transferir dinheiro a Ciro Nogueira. Medidas: suspensão das atividades.

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