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Trump afirma que cessar-fogo prossegue apesar dos novos confrontos com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que o cessar-fogo acordado com o Irã permanece válido, mesmo após o ataque iraniano contra três embarcações militares americanas no Estreito de Ormuz, considerado por ele como “insignificante”.
Antes disso, os EUA anunciaram um ataque retaliatório contra “instalações militares iranianas” em resposta à agressão sofrida por seus navios em Ormuz, rota essencial para o transporte de combustíveis que está bloqueada por Teerã desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
O Irã, por sua vez, acusou as forças americanas de provocarem a troca de tiros e de quebrarem o cessar-fogo.
Esses novos incidentes fragilizam ainda mais a trégua vigente desde 8 de abril, mesmo que a Casa Branca aguarde uma resposta do governo iraniano à última proposta para encerrar o conflito definitivamente.
Pela manhã de sexta-feira (8), a defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos informou ter interceptado drones e mísseis lançados pelo Irã, segundo comunicado do Ministério da Defesa local.
Até o momento, Teerã não se pronunciou oficialmente sobre essas acusações. No início da semana, o governo iraniano negou categoricamente envolvimento nos recentes ataques relatados pelos países do Golfo.
Na noite de quinta-feira, Trump pediu que o Irã concorde rapidamente com um acordo, em mensagem publicada na sua rede social Truth Social, alertando que, caso contrário, poderão sofrer ataques ainda mais severos no futuro.
O comando militar americano no Oriente Médio (Centcom) declarou via rede social X que forças iranianas lançaram vários mísseis, drones e pequenas embarcações contra três navios de guerra dos EUA, sem conseguir atingir nenhum.
O mesmo comunicado ressaltou que as forças americanas eliminaram as ameaças antes que chegassem perto e retaliaram as instalações militares iranianas responsáveis pelo ataque.
Cessar-fogo a longo prazo
O comando militar iraniano acusou os Estados Unidos de quebrar o cessar-fogo ao atacar um petroleiro e outro navio, respondendo prontamente em retaliação contra embarcações militares americanas.
A televisão estatal do Irã mostrou imagens de explosões em um porto na ilha de Qeshm, situada no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de petróleo bloqueada desde o início do conflito.
O conflito já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e Líbano, além de afetar negativamente a economia global.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador, declarou antes dos recentes confrontos: “Estou confiante de que este cessar-fogo se transformará em um acordo duradouro”.
Apesar da ausência de avanços nas negociações, o preço do petróleo teve uma leve queda na quinta-feira e subiu novamente na manhã de sexta-feira, com o barril de Brent sendo negociado acima de 101 dólares.
Navegação bloqueada em Ormuz
Na quarta-feira, Trump tinha afirmado que um acordo de paz com o Irã era bastante provável, mencionando negociações positivas nas últimas 24 horas. Contudo, também reiterou a possibilidade de retomar os ataques devido à situação no Estreito de Ormuz.
Quase 1.500 navios e suas tripulações, totalizando cerca de 20.000 pessoas, permanecem detidos no Golfo por causa do bloqueio imposto pelo Irã em Ormuz, conforme informou o secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Domínguez.
Trump lançou uma operação naval para escoltar navios comerciais e garantir a abertura do estreito, mas suspendeu a ação poucas horas depois, citando progresso nas negociações com Teerã.
No entanto, muitos iranianos se mostram céticos quanto aos diálogos. Para Shervin, fotógrafo de 42 anos, presente em Paris, “Nenhum dos lados presentes nas negociações acredita que um acordo possa ser alcançado”. Ele ainda comentou: “Este é mais um dos jogos de Trump; se não fosse, por que tantos navios de guerra e forças militares seriam enviados ao Irã?”
Tensões no Líbano e negociações
Um eventual acordo entre EUA e Irã pode contribuir para aliviar o clima de tensão no Líbano, onde uma trégua está em risco após um ataque israelense que resultou na morte de um comandante do grupo pró-iraniano Hezbollah no sul de Beirute.
Um funcionário anônimo do Departamento de Estado americano informou que uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano está prevista para 14 e 15 de maio.
O Líbano está envolvido no conflito no Oriente Médio desde que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou foguetes contra Israel em retaliação à morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em bombardeios israelense-americanos.
Apesar da vigência da trégua, o Ministério da Saúde libanês comunicou que pelo menos 12 pessoas perderam a vida em ataques aéreos israelenses realizados na quinta-feira.

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