Economia
Lucro líquido da FriGol cresce 11 vezes no 1º trimestre, a R$ 11,1 milhões
A FriGol finalizou o primeiro trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 11,1 milhões, valor cerca de 11 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano anterior, quando o lucro foi de R$ 1 milhão. A receita bruta chegou a R$ 1,05 bilhão, representando um aumento de 3,2% em relação ao ano passado, enquanto a receita líquida cresceu 2,8%, alcançando R$ 999,2 milhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 33,3 milhões no trimestre, um avanço de 242% comparado ao mesmo intervalo de 2025, com margem de 3,3%. De acordo com o CEO da companhia, Luciano Pascon, o resultado positivo ocorreu apesar dos desafios enfrentados pelo setor pecuário. “Mesmo com a sazonalidade típica do setor no primeiro trimestre, a volatilidade do mercado externo e a redução na oferta de gado, que elevou o preço da arroba bovina, conseguimos crescimento em nossos indicadores, o que reflete a solidez da nossa estratégia operacional e disciplina financeira”, ressaltou.
Durante o período, a empresa abateu 136,6 mil bovinos, uma queda de 14% em relação ao ano anterior, devido aos desafios do ciclo pecuário no Brasil. Ainda assim, a FriGol observou um fortalecimento no mercado interno, que passou a responder por 54% da receita bruta no trimestre, ante 49% no ano anterior.
As vendas domésticas mostraram crescimento nos produtos de maior valor agregado, como as linhas Chef, Angus, BBQ Secrets e Açougue Completo, com aumento de 13% no volume comercializado frente ao primeiro trimestre de 2025. Parte da estratégia incluiu a ampliação da presença em atacarejos, com a instalação de novas unidades do projeto Açougue Completo FriGol em lojas do Assaí Atacadista e Atacadão.
As exportações representaram 46% da receita bruta, uma redução em relação aos 51% do ano anterior. A China continuou sendo o principal destino das exportações, responsável por 64,8% da receita externa, apesar das cotas restritivas impostas pelo país, que afetaram o volume exportado, parcialmente compensado pela elevação dos preços de venda.
Outros mercados relevantes foram Israel, com 10,3% das receitas externas, Hong Kong com 4,3% e Europa com 3,2%. A empresa destacou a ampliação da diversificação geográfica, com a participação de mercados do Sudeste Asiático, incluindo Indonésia e Filipinas, que apresentaram um crescimento de 255% no volume exportado em comparação anual.
O trimestre também marcou a expansão da FriGol em Rondônia, com parcerias para prestação de serviços em três plantas frigoríficas, permitindo ampliar a oferta de gado e acessar novos mercados internacionais, como Estados Unidos, Canadá e Chile. O primeiro embarque para os EUA ocorreu em abril, pela planta de Rolim de Moura.
Luciano Pascon afirmou: “Desde abril, alcançamos o volume esperado de produção nas três plantas, o que será refletido no próximo balanço trimestral. Estamos otimistas e, mesmo frente aos desafios do ano, projetamos aumento significativo na produção e na receita, consolidando nossa posição entre os quatro maiores frigoríficos do Brasil”.
A FriGol finalizou março com um caixa de R$ 415,4 milhões, crescimento de 80% em relação ao mesmo período de 2025, com uma alavancagem de 1,7 vez dívida líquida/Ebitda. No trimestre, a empresa concluiu sua quarta emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), no valor de R$ 250 milhões. Segundo o CFO Carlos Corrêa, “buscamos uma estrutura de capital mais eficiente para financiar o crescimento sustentável da companhia a longo prazo”.
Além disso, a empresa aprovou, em janeiro, sua quarta emissão de debêntures simples, estruturada em até três séries, totalizando R$ 250 milhões. Os recursos serão destinados principalmente para fortalecer o capital de giro, alongar o perfil da dívida e apoiar o plano de expansão operacional.

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