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flávio bolsonaro fala com banqueiro durante investigações públicas do banco master

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, manteve conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro em um período em que as investigações da Polícia Federal (PF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre fraudes no Banco Master já eram de conhecimento público.

Mensagens escritas e áudios dessas comunicações foram divulgados em 13 de março pelo site Intercept Brasil, e suas autenticidades confirmadas pelo Estadão junto a fontes ligadas à investigação. Flávio reconheceu os pedidos feitos, referindo-se a eles como ‘patrocínio’.

Conforme reportado, em 16 de novembro de 2025, o senador solicitou dinheiro ao banqueiro para cobrir despesas do filme Dark Horse, que retrata a vida de seu pai, Jair Bolsonaro. Em um áudio, ele diz: “Sinto receio de ficar te cobrando, mas estamos num momento crucial da produção e, com parcelas pendentes, todos estão preocupados”. Nas mensagens, Flávio ainda escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, sem rodeios. Só preciso que me ajude! Abs”.

Essa troca de mensagens ocorreu cerca de três meses após as suspeitas de crimes financeiros na gestão do Banco Master terem sido tornadas públicas. Em agosto de 2025, a CVM indicou pela primeira vez suspeitas de operações fraudulentas que aumentaram de forma artificial o valor do banco, permitindo investimentos em empresas associadas à família de Vorcaro.

Em setembro do mesmo ano, a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar crimes relacionados à administração do banco e à tentativa frustrada de compra pelo Banco de Brasília (BRB).

Cerca de dois meses após, Flávio fez contato com Vorcaro para cobrar os pagamentos referentes ao filme. No dia seguinte, 17 de novembro, o banqueiro foi preso por suspeitas de fraude. O Banco Master foi liquidado no dia seguinte.

As conversas e áudios foram extraídos do primeiro aparelho celular do banqueiro, apreendido na Operação Compliance Zero.

Segundo a reportagem, Vorcaro teria sido negociado para contribuir com cerca de 24 milhões de dólares na produção do filme, com pagamentos realizados até 2025 que somariam 10 milhões de dólares. O Estadão confirmou esses valores por meio dos documentos encontrados na investigação. As negociações envolveriam Flávio Bolsonaro e intermediários como os deputados federais Mário Frias e Eduardo Bolsonaro.

Ao sair do STF após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin, Flávio negou que o filme tenha sido financiado por Vorcaro. Posteriormente, em nota, pediu a instauração de CPI para investigar o Banco Master, ressaltando que buscava patrocínio privado para um filme sobre seu pai, negando o uso de recursos públicos ou leis de incentivo como a Rouanet.

O senador afirmou ter conhecido o banqueiro em dezembro de 2024, antes das suspeitas serem públicas, e que retomou contato devido a atrasos nos pagamentos do patrocínio. Negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios governamentais ou recebido benefícios.

Na mesma nota, Flávio relaciona o escândalo ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), destacando diferenças nas relações comerciais, e reforça o pedido de CPI.

Em março, foi noticiado que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou 3 milhões de reais para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio declarou à CNN que o Banco Master está longe de ter ligação com a direita.

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