Brasil
Desembargadora afastada recebeu mais de 1 milhão em salários
Maria do Socorro Barreto Santiago, desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, está afastada há dois anos do cargo por suspeitas de envolvimento em venda de sentenças. Durante esse período, ela recebeu cerca de R$ 1,3 milhão em salários.
Ela é investigada na Operação Faroeste e atualmente responde a processo por suspeita de corrupção passiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa a magistrada de receber subornos por meio de diversas formas, como cheques, dinheiro em espécie, um relógio de luxo e jantares em restaurante japonês em Salvador.
O Tribunal de Justiça da Bahia não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre esses pagamentos, que correspondem a uma média mensal de R$ 54,3 mil durante o afastamento.
A defesa de Maria do Socorro, representada pelos advogados Bruno Espiñeira e Victor Quintiere, negou envolvimento em crimes, afirmando que não há comprovação de irregularidades e contestando fatos apresentados pela PGR que não estavam na denúncia inicial.
Em abril, quando se tornou ré, a desembargadora recebeu seu maior salário desde o afastamento, totalizando R$ 104 mil líquidos naquele mês. Em 2026, os valores já acumulam R$ 267 mil, enquanto em 2025 foram R$ 664 mil.
A Operação Faroeste, conduzida pela Polícia Federal sob supervisão do STJ, aponta que o operador do esquema, Adailton Maturino, e sua esposa, advogada Geciane Maturino, teriam pago propinas a Maria do Socorro. A PGR informa que a magistrada simulou empréstimos de R$ 480 mil com familiares para esconder pagamentos ilícitos recebidos por meio de cheques da empresa de Adailton.
Também consta na investigação que a desembargadora usou o genro para quitar R$ 275 mil em dinheiro na compra de um imóvel, recurso supostamente proveniente de atividades ilegais.
Além disso, a Procuradoria relata que Adailton presenteou Maria do Socorro com um relógio Rolex avaliado em R$ 120 mil, que foi apreendido em sua residência durante busca e apreensão.
O relatório do STJ menciona ainda despesas pagas por empresa ligada a Adailton em restaurante japonês frequentado por desembargadores, incluindo Maria do Socorro. Os gastos alcançaram cerca de R$ 1,5 milhão.
Desde 2019, a Operação Faroeste investiga um esquema de corrupção e venda de sentenças no Judiciário da Bahia, envolvendo magistrados, advogados, empresários e lobistas, relacionado à grilagem de terras na região oeste do estado. Seis magistrados foram afastados no início das apurações.

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