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OMS declara emergência por surto de ebola na RD Congo

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Após registrar mais de 80 óbitos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional devido ao surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). O primeiro caso em Goma, uma cidade controlada por uma milícia aliada a Ruanda, já foi confirmado.

O receio de uma propagação mais intensa aumentou depois que um laboratório confirmou neste domingo (17) o caso na cidade controlada pelo grupo antigovernamental M23.

“Um caso positivo em Goma foi confirmado por exames laboratoriais. Trata-se da esposa de um homem que faleceu vítima do vírus ebola em Bunia e que viajou para Goma após a morte do marido, já infectada”, disse à AFP Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) da RDC.

Até agora, a RDC contabilizou 88 mortes e 336 casos suspeitos da febre hemorrágica altamente contagiosa, conforme divulgado pelos Centros Africanos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) no último sábado.

A transmissão entre pessoas ocorre por fluidos corporais ou contato com sangue contaminado, tornando o indivíduo contagioso após apresentar sintomas. O período de incubação pode chegar a 21 dias.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou grande preocupação.

“Determinei que o surto configura uma emergência de saúde pública internacional”, escreveu Ghebreyesus na rede social X. Ele explicou que, no momento, não configura uma emergência pandêmica.

A OMS, sediada em Genebra, elevou o alerta ao segundo nível mais alto, sendo a pandemia o mais grave.

A organização ressalta que a dimensão do surto ainda é incerta. “Há dúvidas sobre o número real de infectados e a extensão geográfica”, afirmou a entidade.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou a preparação de uma ampla resposta.

“A cepa Bundibugyo não dispõe de vacina nem tratamento específico”, explicou o ministro da Saúde da RDC, Samuel-Roger Kamba.

“Essa variante apresenta alta taxa de mortalidade, podendo chegar a 50%”, acrescentou.

Paciente zero

Essa cepa, descoberta em 2007, causou a morte de um cidadão congolês na Uganda, vizinha da RDC, conforme anunciado pelas autoridades no sábado.

Vacinas estão disponíveis apenas para a cepa Zaire, identificada em 1976 e com taxa de mortalidade entre 60% e 90%.

Na sexta-feira, autoridades confirmaram um novo surto na província de Ituri, no nordeste da RDC, perto das fronteiras com Uganda e Sudão do Sul, segundo o CDC África.

“Há duas semanas pessoas vêm morrendo”, relatou Isaac Nyakulinda, representante da sociedade civil local, em entrevista telefônica à AFP. “Não há locais para isolamento dos enfermos, que morrem em casa, sendo cuidados por familiares”, completou.

De acordo com o ministro Kamba, paciente zero foi uma enfermeira que buscou atendimento em Bunia, capital de Ituri, em 24 de abril, exibindo sintomas compatíveis com ebola.

Os sintomas incluem febre, hemorragias e vômitos.

“O aumento rápido de casos e mortes, junto à propagação para diversas áreas e além das fronteiras, é motivo de grande apreensão”, afirmou Trish Newport, diretora do programa de emergências da MSF, que mobilizou equipes na região.

O envio em larga escala de suprimentos médicos enfrenta desafios em um país com mais de 100 milhões de habitantes e infraestrutura limitada.

Alto risco de propagação

Esse é o 17º surto de ebola registrado na RDC.

Como ocorre em regiões de difícil acesso, poucas amostras laboratoriais foram coletadas.

A OMS observa que o elevado número de resultados positivos nas primeiras análises, as confirmações em dois países e o aumento de casos suspeitos indicam que o surto pode ser muito maior do que o oficialmente detectado, com significativo risco de disseminação regional.

A doença já provocou perto de 15.000 mortes na África nas últimas cinco décadas, apesar dos avanços em tratamentos e vacinas.

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