Centro-Oeste
Delegada do DF destaca importância do apoio psicológico para combater violência contra mulheres
Por Duda Barreto e Rafael de Paula
A delegada Karen Langkammer, responsável pela Delegacia das Mulheres no Distrito Federal, ressaltou recentemente que nenhuma mulher que recebeu acompanhamento psicossocial no Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (NUIAM) tornou-se vítima de feminicídio.
O NUIAM, uma iniciativa da Polícia Civil do DF, oferece atendimento psicológico, jurídico e humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica. Em 2025, o núcleo registrou 24 mil atendimentos, enquanto que no Distrito Federal ocorreram 50 mil casos desse tipo de violência no último ano. Estima-se, entretanto, que cerca de 26 mil casos não foram oficialmente registrados.
“Para nós, cada mulher que busca ajuda no núcleo não é apenas um número, mas sim uma pessoa”, explicou a delegada.
Segundo ela, a violência tende a aumentar se não for interrompida, podendo culminar em casos extremos como o feminicídio.
A delegada explicou que o ciclo da violência possui três fases: a primeira é a tensão, caracterizada por desentendimentos frequentes no relacionamento; a segunda é a da violência, que pode ser psicológica ou física; e a terceira é chamada de “Lua de Mel”, quando o agressor tenta se reconciliar, usando chantagem emocional.
Acompanhamento psicológico
A professora de psicologia Luciana Bareicha, do Centro Universitário de Brasília, destacou que o atendimento psicossocial oferecido consiste em quatro sessões emergenciais de uma hora cada. O objetivo é apoiar a mulher e coletar informações importantes para o processo de denúncia.
O atendimento é realizado por uma psicóloga que escuta com atenção, acolhe e orienta a vítima, encaminhando-a para outros profissionais de saúde mental quando necessário. Luciana Bareicha enfatizou que esse acompanhamento é essencial para ajudar as mulheres a entenderem sua situação.
Ela também comentou que fatores culturais, como a ideia de que a mulher deve ser submissa ao homem, dificultam que vítimas deixem situações abusivas.
Roda de conversa
Um evento científico promovido pelo Centro Universitário de Brasília incluiu uma roda de conversa sobre o tema da violência contra a mulher.
“Discutir sobre esse assunto é importante para aumentar a consciência sobre o ciclo da violência doméstica e os abusos sexuais presentes na sociedade, além de orientar sobre a forma de denunciar”, afirmou Luciana Bareicha.
Para denunciar qualquer tipo de violência doméstica, a população pode ligar para 190 ou para 197, que aceita denúncias anônimas.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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