Economia
Brasil perde bilhões por exclusão de pessoas LGBT+ no trabalho
Mesmo com direitos legais garantidos, a discriminação e o isolamento social que pessoas LGBT+ enfrentam dificultam bastante a entrada e a permanência no emprego, causando efeitos econômicos significativos para o país.
No Brasil, as perdas financeiras chegam a cerca de R$ 94,4 bilhões ao ano, o que representa aproximadamente 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), decorrentes das dificuldades enfrentadas por essa comunidade no mercado de trabalho.
A taxa de desemprego entre profissionais LGBT+ chega a 15,2%, o dobro da média nacional, que é de 7,7%. Além disso, 37,4% dessas pessoas não estão engajadas no mercado de trabalho, seja por desistência ou por não estarem procurando emprego, enquanto essa porcentagem na população geral é de 33,4%.
Essa situação reflete negativamente nas finanças públicas, com um impacto fiscal negativo estimado em R$ 14,6 bilhões anuais, resultado de menor arrecadação e aumento das despesas públicas.
Esses dados são parte do estudo “Custo econômico da exclusão baseada em orientação sexual, identidade e expressão de gênero e características sexuais no mercado de trabalho brasileiro”, realizado pelo Banco Mundial em parceria com o Instituto Matizes, Instituto Mais Diversidade e diversas organizações LGBT+ do país.
A pesquisa, realizada em meados de 2025 com 11.231 participantes, avaliou como o estigma, a discriminação e a desigualdade influenciam o emprego, a renda e a produtividade no Brasil.
De acordo com Lucas Bulgarelli, diretor do Instituto Matizes e um dos representantes do estudo, os números evidenciam o grande impacto econômico causado pela exclusão dessa população.
“A violência contínua e o preconceito contra pessoas LGBT+, que se acumulam ao longo da vida, criam barreiras persistentes para a entrada no mercado de trabalho”, destaca.
Progresso
Recentemente, houve avanços com a implantação do Plano Nacional do Trabalho Digno LGBT+, uma portaria que visa promover a inclusão, combater a discriminação e ampliar o acesso dessa população ao emprego formal. Isso demonstra que o país não está começando do zero na criação de políticas, mas está na fase de implementar efetivamente os compromissos assumidos, explica Bulgarelli.
O estudo também mostra que a exclusão no ambiente profissional é ainda maior para grupos específicos dentro da população LGBT+, especialmente mulheres e pessoas negras, que enfrentam um conjunto de estigmas que ampliam as dificuldades no trabalho.
Homens brancos dentro do grupo LGBT+ sofrem uma penalização salarial menor (-6%), enquanto mulheres pretas enfrentam uma redução salarial mais severa (-13%). Mulheres trans negras apresentam taxas de desemprego até três vezes maiores e rendimentos até 40% inferiores ao restante da população.
Além disso, entre 30% e 65% dos entrevistados relataram ter presenciado ou sofrido atos ou comentários discriminatórios no trabalho devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero. Entre 40% e 70% sentiram a necessidade de ocultar sua própria identidade.
Para Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade e também um dos porta-vozes da pesquisa, essas informações demonstram que as empresas refletem os preconceitos da sociedade, perpetuando estigmas no ambiente profissional.

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