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Deputado do PT retira apoio a ONG ligada a filme sobre Bolsonaro
O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) solicitou a retirada de uma emenda impositiva que havia apresentado em benefício de uma ONG associada à produtora do filme “Dark Horse”, biografia cinematográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou ter sido procurado para apoiar uma peça de teatro gospel em São Bernardo do Campo, área de sua base eleitoral em São Paulo.
Após se informar sobre as complicações envolvendo essa ONG, o deputado notificou o governo estadual acerca de sua intenção de cancelar o repasse. A equipe do parlamentar comunicou ainda que o recurso não seria liberado devido à irregularidade no cadastro da entidade.
Luiz Fernando é irmão do deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), mantém relação próxima com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), e com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Em nota, o deputado ressaltou que seu mandato progressista valoriza os direitos humanos, respeito, igualdade e democracia, e que seria inaceitável destinar emenda a uma entidade envolvida na homenagem a um ex-presidente cujos discursos promovem ódio, desigualdade e desinformação.
A emenda, no valor de R$ 190 mil, seria destinada à ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina Ferreira da Gama, uma das sócias da Go Up Entertainment, produtora do filme sobre Bolsonaro. O montante ainda não foi liberado.
Anualmente, parlamentares indicam despesas obrigatórias no orçamento estadual para projetos de sua escolha, cabendo ao Executivo executar os pagamentos conforme calendário próprio, salvo impedimentos legais que obriguem alteração das propostas.
Além de Luiz Fernando, outros três deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo aliados a Bolsonaro direcionaram recursos a entidades vinculadas a Karina, totalizando R$ 300 mil em pagamentos efetivados.
- O deputado Gil Diniz (PL), conhecido como “Carteiro Reaça”, destinou R$ 200 mil à Associação Nacional de Cultura para a produção da série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rende”, valor pago em agosto de 2025.
- A deputada Valéria Bolsonaro (PL) enviou R$ 100 mil ao Instituto Conhecer Brasil para aquisição de equipamentos, valor executado em dezembro do mesmo ano.
- Lucas Bove (PL) indicou R$ 213 mil para um projeto esportivo vinculado ao instituto, porém a emenda foi bloqueada por questões técnicas relacionadas à documentação.
Lucas Bove explicou que redirecionou os recursos por ausência da documentação técnica necessária para a execução do projeto originalmente proposto.
Contexto e Investigação
O financiamento do filme “Dark Horse” está sob investigação da Polícia Federal. Recentemente, áudios divulgados mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) tratando de pagamentos relacionados ao Banco Master e a negócios com fundos americanos, com suspeitas de que os valores possam ter sido utilizados para fins não informados, incluindo a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, requisitou esclarecimentos sobre emendas direcionadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, com investigação preliminar focada em possíveis irregularidades no uso das chamadas “emendas Pix”.
Diversos deputados, incluindo o ex-ator Mário Frias (PL), que participa do elenco de “Dark Horse” e assina seu roteiro, têm sido ligados a emendas para essas entidades. Mário Frias destinou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil em projetos voltados à capacitação digital e artes marciais.
Além disso, deputados como Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) transferiram R$ 1 milhão cada ao governo de São Paulo via emendas especiais para a Academia Nacional de Cultura, com justificativa para produção cultural, complementados por outros parlamentares do PL.

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