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Porta-aviões dos EUA retorna após missão de quase um ano
Após sair da base naval de Norfolk, Virgínia, há quase um ano, o USS Gerald R. Ford, o maior e mais moderno porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, retornou ao país no último sábado, concluindo uma missão de 326 dias — a mais extensa de um grupo de ataque de porta-aviões americano desde a época final da Guerra do Vietnã.
A operação levou o navio e sua tripulação por diversas regiões, incluindo o Ártico, Oriente Médio, Mediterrâneo, Caribe, Mar Vermelho e Atlântico.
A missão começou em 24 de junho de 2025, quando o navio de 100 mil toneladas partiu de Norfolk. Durante os 11 meses seguintes, o grupo de ataque cruzou o Atlântico quatro vezes, atravessando o Estreito de Gibraltar em várias ocasiões. Em 6 de maio de 2026, no 317º dia da missão, o Ford passou pelo estreito pela última vez, navegando de volta ao Atlântico em direção aos EUA.
O Estreito de Gibraltar, que conecta o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico, é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, com cerca de 300 navios passando diariamente. Essa travessia foi uma das últimas etapas da longa missão do porta-aviões.
Antes da operação de 2025-2026, o USS Gerald R. Ford já havia atuado na área da Sexta Frota dos EUA. Em janeiro de 2024, após meses de treinamento e operações em áreas europeias e africanas, o navio deixou o Mediterrâneo pelo Estreito de Gibraltar.
Capitão Rick Burgess, comandante do Ford, destacou o desempenho da tripulação durante a operação: “Durante nosso tempo no Mediterrâneo, o navio e a tripulação demonstraram um desempenho excepcional. Nossos marinheiros operaram as tecnologias avançadas do navio para mostrar as capacidades extraordinárias dos porta-aviões da classe Ford para as futuras gerações. Quando chamados para o Mediterrâneo Oriental, o Ford provou ser o navio certo, na hora certa, para cumprir o chamado da nossa nação. O Gerald R. Ford supera todas as expectativas.”
Na missão encerrada em maio de 2026, o porta-aviões participou do exercício Neptune Strike, da OTAN, no Atlântico Norte, reunindo cerca de 10 mil militares de 13 países, com operações aéreas, desembarques anfíbios, patrulhas submarinas, guerra de superfície e simulações de resgate.
Depois, o grupo foi deslocado para o Caribe, onde participou de ações contra o tráfico marítimo de drogas e aplicou uma quarentena em navios petroleiros sancionados que navegavam de e para a Venezuela. Em janeiro, fuzileiros e marinheiros do Ford assumiram o controle do MT Veronica no Caribe.
Após mais de 100 dias na região, o porta-aviões seguiu para o Oriente Médio, preparando-se para a Operação Epic Fury, ofensiva dos EUA e Israel contra alvos no Irã, iniciada após o fracasso de negociações nucleares. O Ford atravessou o Canal de Suez em 5 de março e entrou no Mar Vermelho.
Em 12 de março, o navio sofreu um incêndio em uma lavanderia na parte traseira. Mais de 200 marinheiros foram atendidos por inalação de fumaça, um precisou ser evacuado por motivos médicos, e outros dois receberam atendimento por cortes. A fumaça atingiu áreas de alojamento, danificando mais de 100 beliches. O navio foi reparado em Souda Bay, Creta, e fez uma escala em Split, Croácia.
Em 17 de abril, o Ford retornou ao Mar Vermelho e participou da ofensiva americana contra o Irã, mesmo com negociações de cessar-fogo em andamento. A operação terminou em maio, quando o porta-aviões iniciou sua travessia de retorno a Norfolk.
O USS Gerald R. Ford, primeiro navio de sua classe, representa uma nova geração de porta-aviões americanos, incorporando 23 novas tecnologias, como sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves, equipamentos avançados para recuperação de aviões e elevadores modernizados. Com uma tripulação 20% menor que a classe Nimitz, foi projetado para aumentar a letalidade, sobrevivência e interoperabilidade.
O grupo de ataque do Ford contou com o Carrier Strike Group 12, a asa aérea Carrier Air Wing 8, e destróieres da classe Arleigh Burke, incluindo o USS Winston S. Churchill, USS Mitscher, USS Mahan, USS Bainbridge e USS Forrest Sherman.
Ao retornar à base naval de Norfolk em 16 de maio, o porta-aviões foi recebido por milhares de familiares e amigos dos tripulantes, encerrando uma mobilização marcada por travessias intensas, combates, exercícios conjuntos, ações no Caribe e desafios a bordo, consolidando o USS Gerald R. Ford como elemento central da projeção naval dos EUA em meio a múltiplas crises.

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